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Zooloteria mantém apostas sob proteção de lei estadual.

17/03/2004

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Gazeta de Alagoas – Bleine Oliveira

Sob o argumento de que a Medida Provisória (MP) do governo federal proíbe apenas o funcionamento de bingos e caça-níqueis, as empresas que formam a Associação Zoolotérica de Alagoas (Zooal) continuam funcionando normalmente em Alagoas. Recusando a denominação “jogo do bicho”, e insistindo na nova denominação – loteria de números e prognósticos, o empresário Plínio Batista, um dos mais conhecidos do setor, garante que não tem motivos para suspender as apostas. “Nossa situação é totalmente regular, pagamos todos os impostos exigidos pela lei” – afirma ele.

O próprio secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, revela que não há nenhuma ação policial destinada a reprimir a Zooloteria. Embora ressalte que o órgão indicado para analisar a questão é a Loteria Social de Alagoas (Loteal), o secretário afirma que a Zooloteria funciona de acordo com a lei 6.225/01,aprovada pela Assembléia Legislativa. “O jogo do bicho não existe. Os focos clandestinos que aparecem são imediatamente reprimidos” – afirma Robervaldo Davino.

Apostas diárias

Assim, o negócio continua funcionando com uma média diária de mil apostas, com valores que vão de R$ 0,10 a R$ 50,00. Em diversos pontos da cidade é possível fazer apostas. Só a Zooal tem cerca de 300 pontos em Maceió.

“O bicho é a origem de todos os jogos, inclusive das loterias do governo” – defende-se Plínio Batista, assegurando que paga impostos como PIS, ISS, Confins, Imposto de Renda e outros. Segundo ele, as quartas-feiras e sábados, os números sorteados são os mesmos da Loteria Federal.

Para Plínio Batista são equivocadas as afirmações de que o lucro das “bancas” de jogo chega a 90%. Pedindo que a SDS reprima o jogo clandestino, “que vem de Pernambuco tirar dinheiro dos alagoanos”, ele garante que da apuração 60% são para as apostas premiadas; 21% é dividido entre os franqueados (15%) e os arrecadadores (6%); e 7% é da Loteal. “Do que sobra ainda temos que tirar os impostos” – assegura o dono da Zooal.

Indiferentes à polêmica sobre a legalidade ou não do jogo, os apostadores continuam investindo na chance de ganhar através desse sorteio. “Tenho confiança no jogo. Ganho com freqüência e sei que vou receber o prêmio”, diz a dona de casa e ex-cambista Lourdes Tabosa, moradora do bairro de Ponta Grossa.

Os donos de pontos de apostas se dizem tranqüilos, e defendem a manutenção do jogo como fonte de emprego e renda para muita gente.

Gazeta de Alagoas – Bleine Oliveira