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Teorias ligadas aos jogos de azar

22/08/2002

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A investigação dos jogos de azar induziu os matemáticos a desenvolverem a teoria das probabilidades, a partir de 1494 com Luca Paccioli. Na década de 1920, os jogos de salão (como o pôquer e o xadrez) começaram a interessar os matemáticos.
John Von Neumann, húngaro naturalizado americano, foi o primeiro a fornecer a descrição matemática completa de um jogo e a provar um resultado fundamental (teorema minimax). Ele sugeriu em 1928 que a teoria dos jogos poderia ter aplicação na economia.
O principal problema da economia clássica é o comportamento humano: “Como será que o ‘homo economicus’, absolutamente egoísta, vai agir sob determinadas condições externas”, questiona Von Neumann. Oskar Morgenstern é o autor do livro “Previsão Econômica”, no qual evidencia que, ao contrário das previsões astronômicas, as previsões econômicas têm a capacidade peculiar de mudar o resultado. Diz ele: “Preveja uma escassez e os comerciantes e consumidores reagirão; o resultado é uma indigestão.”
A teoria dos jogos utiliza os jogos como cenários adequados para o exercício da racionalidade humana. Ela permitiu a sistematização do comportamento humano racional. Pessoas racionais sempre compreendem claramente suas preferências e tomam suas decisões de acordo com essas preferências, após analisadas as informações disponíveis.
Em 1944, Von Neumann e Morgenstern lançaram o revolucionário livro “The Theory of Games and Economic Behavior”, no qual concluem que uma nova teoria de jogos era “o instrumento apropriado para se desenvolver uma teoria de comportamento econômico.”
O problema mais importante da nova teoria era explicar como as partes chegavam a um acordo para dividir um bolo. Essa divisão dependia do problema da barganha.
Coube a John Nash, Nobel de Economia/1994, em 1950, não só resolver o problema da barganha, mas também enunciá-lo de maneira simples e precisa, assim como mostrar que era possível obter solução única. Nash começou com a seguinte pergunta: Que condições razoáveis uma solução qualquer (qualquer divisão) tem que satisfazer?
A teoria dos jogos se propõe a equacionar, por meio da matemática, os conflitos de interesse que acontecem a todo instante na sociedade. Esses conflitos decorrem da tendência entre os indivíduos (jogadores) de maximizar o ganho individual. O ganho individual é racional para cada indivíduo, mas determina um resultado irracional para o grupo (“tragédia dos comuns”).
Nash concluiu que governo e sociedade podem estabelecer uma “estratégia de equilíbrio”, na qual os interesses deixam de ser conflitantes porque é vantajoso para todos cooperar.
Na crise energética/2000, o governo brasileiro adotou uma “estratégia de equilíbrio” ao instituir sobretaxas individuais e cortes de fornecimento (regras, incentivos e punições). O governo transferiu para cada cidadão, individualmente, a responsabilidade por algo que, até então, era percebido como uma obrigação diluída entre todos. O mais racional foi colaborar. O governo evitou uma “tragédia dos comuns”.
Na década de 1970, aflorou um grupo de economistas, conhecido como Polícia da Teoria, o qual começou a questionar o modelo racional e a verificar se os investidores estão obedecendo ou não às leis do comportamento racional.
Baseado na constatação de que a mescla do racional com o nem-tão-racional é um mercado de capitais cujo desempenho está longe do desempenho coerente previsto pelos modelos teóricos, o referido grupo criou um novo campo de estudos chamado de “finanças comportamentais”.
Esse grupo elaborou uma lista dos “comportamentos anômalos” (comportamentos que violam as previsões da teoria racional).
No filme “Uma Mente Brilhante”, Russell Crowe interpreta John Nash.
Site OBOÉ – Fortaleza