Home BNL Rio de Janeiro sedia segundo dia do Congresso Brasileiro de Jogo
< Voltar

Rio de Janeiro sedia segundo dia do Congresso Brasileiro de Jogo

20/11/2013

Compartilhe

O segundo dia do I Congresso Brasileiro do Jogo começou com um ‘Café da manhã’ com os reguladores com a presença de Carlos Silva Alliende (Chefe de Departamento Legal da Superintendência de Casinos de Juego do Chile), Fernando Paes Afonso (CEO da Santa Casa de Misericordia de Liboa de Portugal), Luigi Magistro (vice-comissário da Italian Customs and Monopolies Agency), Michael Ellen (Diretora de Licenciamento e Estratégia da Alderney Gambling Control Commission), Birgitte Sand (Diretora da SKAT – Autoridade de Jogo da Dinamarca) e Giselle Brea (Diretora Nacional, Junta de Control De Juego Panamá.

Durante a abertura, o escritor e professor Luiz Carlos Prestes deu as boas-vindas aos presentes e sugeriu a criação de um ‘Grupo de Trabalho’ para produção de um documento para ser encaminhado para a Presidente Dilma Rousseff solicitando a retomada da agenda da regulamentação do jogo no Brasil, que será submetido a apreciação e aprovação da plenária desta quarta-feira.

O primeiro painel ‘Jogo no Brasil – O caminho para regulação contou com a participação do diretor-geral da Codere Brasil, André Gelfi; do CEO da Vermantia, Filippos Antonopoulos; presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul, José Vecchio Filho, moderado pelo escritor Ney Carvalho.

Ney Carvalho introduziu o painel com várias e interessantes referências históricas sobre o jogo no Brasil (veja a íntegra do texto na Coluna) e criticou a ausência de autoridades e dos reguladores do jogo no Brasil.

“Vale um registro. A virtual ausência de elementos dos poderes federais, do Ministério Público e, principalmente, de um representante da Secretaria de Acompanhamento Econômico – SEAE do Ministério da Fazenda, que ficarão sem conhecer as vitoriosas experiências internacionais de regulação a que estamos assistindo. Assim, o governo e o país estariam mais bem preparados para enfrentar o dilema de regular o jogo no Brasil”, criticou.

O destaque do painel foi o presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul, José Vecchio Filho, informou que os principais jóqueis clubes do país são deficitários e acabam vendendo seus ativos para pagar as dividas que se acumulam a cada ano.

“Jockey Club do Rio Grande do Sul tem um déficit anual de R$ 2 milhões e temos que vender os ativos para pagar estas despesas que se acumulam anualmente”, reclamou Vecchio.

O dirigente comentou que o apostador que vai a primeira vez ao hipódromo se frustra pela falta de atratividade, ausência das modalidades de apostas e que a solução do turfe no Brasil, que é o maior produtor de Cavalo Puro Sangue Inglês da América Latina, está no modelo dos jóqueis do Uruguai e de Palermo, na Argentina.

“Temos que transformar os hipódromos em cassinos (racinos). Só as slots machines conseguem reerguer o turfe nacional. Vamos produzir um estudo para levar para a presidente Dilma Rousseff uma proposta pedindo a transformação”, comentou.

Vecchio também registrou o envelhecimento da legislação do setor e que falta um lobby institucional correto e que não temos uma cultura de jogo no nosso país.

“A imagem negativa que a imprensa faz do setor dificulta qualquer aprovação de projeto de jogos. Não quero que o arcebispo vá ao jóquei, quero que o apostador vá ao jockey”, criticou.

Reguladores de apostas esportivas

O segundo painel do dia teve como tema a regulamentação das apostas esportivas e contou com a participação dos executivos que trabalharam nos mercados recentemente regulamentados como Grã-Bretanha, Espanha, França, Itália e Dinamarca através da participação do diretor de Desenvolvimento Corporativo da Sportech, Mickey Kalifa; diretora da SKAT – Autoridade de Jogo da Dinamarca, Birgitte Sand; presidente da Associação de Jogo Digital (Jdigital), Sacha Michaud; SVP Betting do Grupo Lottomatica, Ludovico Calvi e CEO do Inspired Gaming Group Luke Alvarez.

Birgitte Sand defendeu que a regulamentação do jogo deve respeitar a cultura do país e procurar boas soluções para tecnologia da informação. Também recomendou que ao regulamentar os jogos o governo desenvolva um único sistema, que assuma os dados de controle de todas as operações.

Mickey Kalifa da Sportech, que opera apostas em futebol na Inglaterra com cerca de 400 mil apostadores, comentou que a revitalização do futebol inglês através da Premier League aconteceu graças as de apostas, que investem muito dinheiro nos clubes daquele país e que o Estado deve ofertar o jogo legalizado para que o apostador não migre para o clandestino.

“O Estado deve dar ao apostador a escolha de ser legal, pois se você não dá está opção ele vai para o ilegal”, comentou.

O representante da Lottomatica, Ludovico Calvi comentou que a Itália legalizou as apostas esportivas em 1988 e que o mercado italiano, um dos maiores do mundo, movimenta 87 bilhões de euros anualmente.

Luke Alvarez, CEO do Inspired Gaming Group informou que a Itália tinha 400 mil máquinas ilegais com payout médio de 60%, antes da legalização desta atividade e que agora tem uma rede ligada em tempo real pagando impostos.

Perguntado pelo BNL se haveria a possibilidade do governo ser enganado por um operador local ou um apostador, Luke foi enfático: “é praticamente impossível”.  

“A Itália tem hoje cerca de 13 operadoras, que têm uma concessão do governo, que controla a tecnologia. São empresas muito sérias e técnicas. Só para ter um exemplo, todas as linhas de código das maquinas são monitoradas pelo governo, que pode ser comparado como uma assinatura digital. Se alguém tentar mudar alguma coisa no equipamento o sistema informa e o governo paralisa aquela máquina na mesma hora”, comentou.

Ludovico Calvi acrescentou informando que 100 técnicos trabalham apenas nesta operação e que os inspetores verificam onde estão estas máquinas que ‘acenderam a luz vermelha’ no sistema. Segundo o executivo o “o uso da tecnologia para controle é muito eficaz e por isto que o sistema italiano é muito mais caro”.

Assegurando Integridade Esportiva

O painel ‘Assegurando Integridade Esportiva’ que discutiu os riscos envolvidos em apostas esportivas e a demonstração de práticas necessárias para manter a integridade e segurança nas apostas em esporte contou com a participação do presidente da Paddy Power – America do Norte, Eamonn Toland; diretor de Negócios-Ladbrokes e Chairman da ESSA-European Sports Security Association (Associação Europeia de Segurança Esportiva), Michael O’Kane; Compliance and Regulatory Manager, France, Betclic Everest Group, Humbert Michaud e Diretor Geral da FIFA-Early Warning System GmbH, Detlev Zenglein com moderação do CEO da Lottomatica Betting, Ludovico Calvi.

Eamonn Toland, foi enfático “se queremos ter certeza que a integridade nos esportes será preservada temos que legalizar e regulamentar para garantir a proteção dos apostadores”. Ainda segundo o dirigente da Paddy Power cerca de 1,2 milhão de clientes apostam menos de US$ 10.

“Nós sabemos onde a pessoa esta jogando no lap top ou no telefone celular, inclusive onde ela está jogando. O Brasil tem que legalizar, mas nós podemos indicar os sistemas a serem usados. Qualquer atividade pode ser monitorada”, comentou.

Humbert Michaud informou que quando alguém trapaceia a primeira vitima é o operador.

Detlev Zenglein comentou que a FIFA faz acordos com operadores e loterias através de convênios com 400 operadores espalhados pelo mundo.

“Trabalhamos com o sistema de compartilhamento de informações que é importante a transparência e a comunicação”, informou.