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Pesquisa comprova que brasileiro é cada vez mais favorável aos jogos

24/06/2019

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A pesquisa online do Instituto Ipsos foi realizada com 18,6 mil entrevistados em 29 países, incluindo o Brasil, entre 26 de novembro e 7 de dezembro de 2018

A pesquisa mundial ‘Global Views on Vices 2019’ ou ‘Visões globais sobre os vícios 2019’ da Ipsos avaliou a aceitação do consumo de 15 itens sendo chocolate, salgadinhos de pacote, redes sociais, vinho, cerveja, licor, maconha, pornografia, aplicativos de encontro, cigarros/vaporizadores, videogames violentos, cigarros, jogos de cassino, apostas online em jogos de azar. O Instituto Ipsos é a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo.

A pesquisa online foi realizada com 18,6 mil entrevistados em 29 países, incluindo o Brasil, entre 26 de novembro e 7 de dezembro de 2018. No Brasil foram mil entrevistas, realizadas em dezembro de 2018. A margem de erro é de 3,1 p.p.

“O Brasil é um país conservador em seus costumes. Sua opiniões se aproximam a respostas obtidas em países mais restritivos, como Malásia e Hungria”, disse Priscilla Branco, gerente de opinião pública da Ipsos. “Na Argentina, por exemplo, historicamente as pautas progressistas avançam de forma mais rápida. E o Brasil vive um momento de polarização política que ficou evidente com o debate eleitoral”.

Os países pesquisados foram Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Peru, Polônia, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Sérvia, África do Sul, Coréia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos.

“De maneira geral, o brasileiro apresenta mais restrições morais às atividades pesquisadas, como uso de maconha, pornografia e jogos de videogame violentos. Em um país cuja percepção estereotípica é permissiva, esse dado é bastante relevante. Há uma tendência de julgamentos morais alta que, muitas vezes, impede debates posteriores, como o interesse público”, explica Marcos Calliari, presidente da Ipsos no Brasil.

 

Acesso a jogo de cassino

Quando perguntado sobre o acesso ao jogo de cassino, 66% dos brasileiros concordam contra 25% da população. O índice é bem próximo do registrado no mundo (70%) contra os mesmos 25% do Brasil.

 

 

Todos os países

Total Global – Permitido usar, comprar ou ter acesso:

Casino Gambling – jogo de cassino

Qualquer pessoa, incluindo crianças – 1%

Qualquer pessoa com 13 anos ou mais – 1%

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais – 24%

Qualquer pessoa com 21 anos ou mais – 38%

Somente pessoas que receberam uma permissão ou uma receita para – 6%

Ninguém, absolutamente – 25%

Não tenho certeza – 6%

***

Brasil

Acesso ao jogo de cassino

Qualquer pessoa, incluindo crianças – 2%

Qualquer pessoa com 13 anos ou mais – 2%

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais – 28%

Qualquer pessoa com 21 anos ou mais – 27%

Somente pessoas que receberam uma permissão ou uma receita para – 7%

Ninguém, absolutamente – 25%

Não tenho certeza – 9%

 

Acesso a apostas e jogos de azar on-line

Quando perguntado sobre acesso as apostas e jogos de azar on-line, 64% dos brasileiros concordam contra 25% da população. O índice é bem próximo do registrado no mundo com 68%, sendo 26% contrários.

 

 

Todos os países

Total Global – Permitido usar, comprar ou ter acesso:

Online Betting and Gambling – Apostas e jogos de azar on-line

Qualquer pessoa, incluindo crianças – 1%

Qualquer pessoa com 13 anos ou mais – 1%

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais – 27%

Qualquer pessoa com 21 anos ou mais – 34%

Somente pessoas que receberam uma permissão ou uma receita para – 5%

Ninguém, absolutamente – 26%

Não tenho certeza – 7%

***

Acesso a apostas e jogos de azar on-line

Qualquer pessoa, incluindo crianças – 2%

Qualquer pessoa com 13 anos ou mais – 3%

Qualquer pessoa com 18 anos ou mais – 30%

Qualquer pessoa com 21 anos ou mais – 23%

Somente pessoas que receberam uma permissão ou uma receita para – 6%

Ninguém, absolutamente – 25%

Não tenho certeza – 10%

 

Moralmente aceitável

O levantamento também pesquisou o que é moralmente aceitável com moderação e os índices de aprovação no Brasil ficaram acima do resultado mundial.

Jogo de cassino

Enquanto no mundo a aceitação do jogo de cassino é de 31% no Brasil é de 34%, sendo que enquanto 42% da população mundial discordam no Brasil este índice é de 37%. No Brasil 29% não concorda e nem discorda e no mundo este percentual é de 27%.

O que é moralmente aceitável com moderação?

Total Global

Moralmente aceitável com moderação: Casino Gambling – jogo de cassino

Aceita – 31%

Não concordo nem discordo – 27%

Discordo – 42%

***

Brasil

Moralmente aceitável com moderação: Casino Gambling – jogo de cassino

Aceita – 34%

Não concordo nem discordo – 29%

Discordo – 37%

 

Apostas e jogos de azar on-line

Com relação as apostas e jogos de azar on-line os percentuais de 41%, tanto mundial como Brasil são iguais com relação a reprovação moral. Já a aceitação no Brasil (32%) é maior que no índice global (28%). Entre os brasileiros, 28% não concorda nem discorda e no global este índice é de 31%.

 

 

O que é moralmente aceitável com moderação?

Total Global

Moralmente aceitável com moderação: Online Betting and Gambling – Apostas e jogos de azar on-line

Aceita – 28%

Não concordo nem discordo – 31%

Discordo – 41%

***

Brasil

Moralmente aceitável com moderação: apostas e jogos de azar on-line

Aceita – 32%

Não concordo nem discordo – 28%

Discordo – 41%

***

Maconha

O consumo da maconha de forma moderada não possui grande aceitação no Brasil. Seis em cada dez brasileiros (57%) não acreditam que o uso moderado da maconha seja moralmente aceitável. O índice é bem próximo do registrado no mundo (51%). Por outro lado, 24% dos brasileiros dizem que a atitude é moralmente aceitável, um índice um pouco acima do global (22%).

O levantamento mostra que metade dos brasileiros (47%) acredita que ninguém deveria ter acesso à droga. Globalmente, o índice é um pouco menor, de 37%. Para 66% dos entrevistados do Brasil, a maconha é viciante, enquanto 13% acreditam que não é. No mundo, 63% concordam com o potencial viciante da droga e 17% não concordam.

“A percepção de que há uma tendência global de maior tolerância com relação a comportamentos mais liberais não se verifica na pesquisa. Muitas das atividades potencialmente viciantes ainda são vistas com grande desconfiança pela população. O Brasil, na maioria dos casos, acompanha a média tendencialmente mais conservadora. Isso ajuda a explicar dois movimentos sociais que se verificam claramente na atualidade: resgate político de movimentos conservadores e extremismo de opiniões”, afirma Marcos Calliari, CEO da Ipsos.

Outros produtos e serviços têm o consumo com moderação aceito, como chocolate (79%), salgadinhos de pacote (69%), redes sociais (65%), vinho (62%) e cerveja (61%), pornografia (43%), cigarros (42%), jogos de cassino (42%), apostas online em jogos de azar (41%).

“Pela pesquisa, fica clara a dificuldade em evoluir com discussões de temas que são moralmente condenáveis, segundo a população. Projetos relacionados à liberação da maconha e cassinos precisariam de argumentos e novas informações para uma alteração da percepção pública, em um ambiente particularmente desfavorável para o diálogo”, completa Calliari.