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Os Trabalhadores da Atividade de Jogo do Bicho do Recife e Região Metropolitana: Alguns Traços do Mercado de Trabalho Informal.

21/12/2002

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1.      INTRODUÇÃO
O surgimento do jogo do bicho data o fim do século passado, quando o Barão de Drumond, com o objetivo de atrair mais visitantes para o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, decidiu imprimir bilhetes de ingresso com figuras de animais, realizando, ao fim do dia, o sorteio de um dentre os vinte e cinco animais e distribuindo prêmios em dinheiro  aos visitantes premiados. O sistema teve sucesso e, a partir daí, foi instalado um similar na cidade, criando uma nova fonte de renda para aqueles que atuavam como vendedores de apostas, os cambistas (Carradore, 1979).
O Jogo do Bicho é considerado como uma atividade ainda ilegal, conforme versa o Código Penal Brasileiro (Oliveira, 1985), em seu artigo 58, que tipifica seu funcionamento como contravenção penal. Apesar disso, no Estado de Pernambuco, o jogo é comercializado por organizações informalmente constituídas, mas que, paradoxalmente,  parecem formar um setor empresarial em franco crescimento, haja vista a quantidade de pontos de venda que podem ser encontrados no Estado. Tais organizações são encabeçadas por empresários audaciosos, visto que aparentam conseguir conviver com o risco e a incerteza da atividade e, ainda assim, promover alguma forma de crescimento.
A Associação dos Vendedores Autônomos de Loterias (AVAL) é a entidade que representa as empresas de jogo do bicho no Estado de Pernambuco e que regulamenta a atividade e o relacionamento entre as bancas. O presidente da Associação, em entrevista preliminar, comenta que:
“Nossa associação tem a função de promover os sorteios diários dos números (extrações), regular as relações entre bancas, dar respaldo representativo e político. E, além disso, a AVAL fornece serviço médico e ambulatorial para os ‘funcionários’ das bancas de jogo de bicho afiliadas à nossa associação”.
Ainda segundo o presidente da AVAL, a tolerância ao Jogo no Estado não tem ligação com a corrupção. Tem, isto sim, respaldo na geração de cerca de 10.000 empregos[1][1], motivado pela situação de pobreza em que se encontra a sociedade e pela falta de espaço no mercado de trabalho formal.
É especialmente o funcionamento das organizações que compõem a atividade de fato, apesar de tipificada como ilegal, que desperta curiosidade. Em outras palavras, o negócio parece ter traços de profissionalismo, em que talvez estejam em pleno uso muitos dos conceitos e técnicas administrativos, que podem ter sido aperfeiçoados ou ajustados para uma realidade de risco e de incerteza. Como se operam essas organizações? Qual a performance do negócio? Quem são seus executivos? Quais são as ferramentas gerenciais utilizadas para um negócio tão peculiar? Essas foram algumas das indagações que surgiram. Como resposta a algumas dessas perguntas, de acordo com depoimentos de empresários inicialmente contatados, pôde-se sentir  que o desempenho geral do setor não é insatisfatório. Entretanto, poderia ser incrementado. Eles apontaram a limitação da qualificação da mão-de-obra, a ilegalidade da atividade, a incerteza dos cenários futuros (devido o risco), a utilização de um gerenciamento por vezes intuitivo e não profissional,  como restringidores do desempenho geral do negócio.
De acordo com o que foi comentado anteriormente, o Jogo do Bicho emprega hoje grande contingente de pessoas. Quanto a isso, um dos sócios-proprietários da Banca Sonho Real, em entrevista inicial, conta que: “…empregamos um grande número de pessoas. São pessoas que não encontram espaço no mercado de trabalho formal e que têm em nossa atividade seu sustento. Em geral, são ou analfabetos, ou deficientes, ou aposentados. Enfim, estão à margem da sociedade”.
Tal fato, acima comentado, pode, talvez, sugerir uma relação entre a origem social e econômica das pessoas “contratadas” por essas empresas e a citada limitação na qualidade de mão-de-obra. Questionamentos sobre origem social e econômica delas, nível de escolaridade, fatores motivacionais podem sugerir alguma forma de interpretação para a questão da baixa qualificação da mão-de-obra utilizada, sendo este, portanto, dentre as várias questões levantadas, o problema desta pesquisa.
Wanderley (1998) comenta que o jogo oferta emprego para “…pessoas barradas pela sociedade, sem qualificação profissional, desempregadas, tais como: deficientes físicos  (…), idosos excluídos do mercado de trabalho, jovens necessitados de ocupação, aposentados, etc”.
Enfim, trata-se de uma tentativa de conhecer o nível sócio-econômico das pessoas que servem a esse tipo de organização, identificando quais os motivos da possível restrição ao desempenho das mesmas e  os motivos que as levam e as mantêm na atividade informal.
Vale, ainda, ressaltar que este estudo estará centrado no nível operacional do quadro de pessoal das organizações de Jogo do Bicho, nos chamados cambistas, haja vista o fato de que, conforme levantado na AVAL, a grande maioria do pessoal “admitido” trabalha nesse nível. Não serão tratados, portanto, níveis de chefia e gerência.
Diante desse contexto, este estudo investigará a seguinte questão de pesquisa:
Até  que  ponto as organizações de jogo do bicho, no Recife e Região Metropolitana, se aproximam ou se afastam do que se caracteriza na teoria como uma atividade típica do setor informal ?
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Junto com os tempos modernos adveio a economia globalizada e a  conseqüente  necessidade de melhoria na qualidade, para fazer face ao acirramento da concorrência. Nesse sentido, novas tecnologias vêm sendo implantadas, na medida em que se pode aumentar qualidade e produtividade com as mesmas. A relação entre introdução de novas tecnologias e o desemprego ainda parece bastante polêmica.
Segundo Simonsen (1996), a evolução da tecnologia é uma das causas que vêm contribuindo para o fenômeno da transformação de pequenos trabalhadores em um  tipo novo, que chama de prestadores autônomos de serviços. Neste artigo é falado, ainda, que o trabalho informal e o auto-emprego são respostas naturais à política salarial brasileira, que transforma o trabalhador, mesmo ganhando mal, em ônus para as empresas. De uma forma ou de outra, parece consenso que o desenvolvimento e o aumento da população urbana são algumas das causas que dão origem a atividades informais.
Simon (1998, p. 547) argumenta a importância da economia secundária para a questão do desemprego. Segundo ele, “micro empreendimentos no setor informal nos países em desenvolvimento possuem o argumento potencial de prover um nicho no processo de geração de empregos”. O autor ressalta, ainda, que diversos estudos empíricos têm sustentado a proposição de que essas atividades “podem constituir uma fonte dependente de emprego urbano, de renda e de sobrevivência” (p. 547).
O exercício de atividades não-reguladas aparece então como meio de sobrevivência em países com alta taxa de desemprego.  Cavalcanti (1978, p. 11) ressalta que:
“para essas pessoas, que se encontram nos subterrâneos do sistema econômico, é óbvio que a situação de desemprego se mostra incompatível com as aspirações de sobrevivência, sendo, portanto, necessário que se descubra alguma forma de atividade…”
As definições sobre o setor informal remontam há alguns anos, precisamente 1972, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) elaborou um conceito, estimando assim que o setor informal seria um tipo de produção composto por um conjunto de unidades produtivas com dificuldade de acesso a capital e que assumem o mínimo de risco empresarial (Leote, 1983).
Entender o conceito e as características da  economia informal apresenta-se como ponto de partida para o estudo ora proposto. Sua caracterização tem estreita relação com as causas que a originam. Assim, atividades que contribuam para a subsistência individual, familiar ou de manutenção do lar, mas que não fazem parte do mercado de trabalho formal e aumentam as trocas de capital ilegal ou criminal (Tickamyer e Wood, 1998) apresentam traços de exercício informal ou mercado secundário, como alguns autores denominam.
Outra definição é a de Telles (1993), compreendendo a economia informal como setor do mercado de trabalho composto por autônomos e  empregados em ambientes de trabalho não regulamentados pelo Estado.
Cacciamali (1983, p. 11) apresenta sua definição de setor informal, destacando seus traços principais, a saber:
 “maneira de produzir caracterizada por: facilidade de entrada, dependência a recursos nativos, propriedade familiar do empreendimento, pequena escala de operações, intensidade de trabalho e tecnologia adaptada, qualificações (no trabalho) adquiridas  fora do sistema escolar formal e mercados não regulados ou concorrências”.
Por sua vez, Castells e Portes (1989, p. 12) acrescentam, em seu conceito amplamente aceito entre diversos autores (Hill & McKeever, 1998;  Tickamayer & Wood, 1998; Simon, 1998; entre outros) que a economia informal pode ser caracterizada como as “atividades não regulamentadas pelas instituições da sociedade, no ambiente legal e social no qual outras atividades similares são reguladas”.
Partindo desse conceito, é possível caracterizar o jogo de bicho no Estado como pertencente à economia informal, se observadas as duas condições definidas pelo mesmo. Primeiro, devido ao seu caráter irregular junto às instituições do Estado, que, como anteriormente comentado, a atividade á tipificada pelo Código Penal Brasileiro, em seu artigo 58,  como Contravenção Penal. Segundo, porque  outras atividades similares como loterias esportivas, loto, bingos do tipo poupa-ganha, etc são reguladas, tipificando também outros tipos dos chamados jogos de azar. Dessa forma, para efeito deste estudo, o jogo de bicho pode ser entendido como uma atividade informal.
Castells e Portes (1989, p. 15) reforçam o argumento da ilegalidade  como critério de classificação de economia informal, quando entendem que “algumas atividades são denominadas como informais porque elas são definidas como ilegais pelas instituições da sociedade”. Dentro dessa perspectiva, os mesmos autores conceituam atividades criminais como aquelas “especializadas na produção de bens ou serviços socialmente definidos como ilícitos” (p.15) . Portanto, também esta definição parece reforçar a classificação do jogo de bicho como um exercício típico do setor  informal.
Telles (1992, p. 109) estudou o trabalho no setor formal e informal do Brasil. Segundo o autor, em países menos desenvolvidos, a ênfase no dualismo entre setor formal-informal reflete a preocupação com uma economia na qual larga parcela da população trabalha em empreendimentos que são semi-capitalizados e operam fora da regulação do Estado. Situação que pode ser observada no Brasil, notadamente em Pernambuco, foco deste estudo.
As contendas sobre o setor informal dão origem à consideração de uma miscelânea de problemas e aspectos de vida relacionados com a população de baixa renda, ressaltam Cavalcanti e Duarte (1980), associando condição sócio-econômica à participação na economia informal. Convergindo com este raciocínio, de Pardo e Castaño (1989, p. 95) destacam que atividades informais surgem das necessidades de sobrevivência das famílias que são moldadas pelos seguintes  fatores: composição da manutenção do lar, sexo, idade, cor da pele, ciclo de vida, nível de treinamento, entre outros. Essa idéia parece, então, sugerir uma associação entre fatores sócio-econômicos com a economia desregulamentada pelo Estado.
Hill e McKeever (1998) argumentam que estudos recentes têm alternadamente reforçado uma associação entre economia secundária e iniqüidade social e, em outros casos, diluído esta idéia. Tal fato pode engrossar a argumentação de que se faz necessário testar hipóteses sobre o assunto.
Em seus diversos estudos sobre o tema, Cavalcanti (1978) também parece encontrar essa  relação, até porque as próprias causas da gênese da economia informal parecem justificá-la. Assim, o autor denomina o setor como “fonte de empregos de última instância para aqueles indivíduos, via de regra não qualificados, migrantes, que não se sentam no âmbito do setor organizado” (p.27).
Em seus estudos sobre a economia formal/informal no Brasil, também Telles (1992, p. 114) destaca que evidências demostram uma associação entre características sociais e o trabalho no setor informal. Conforme sua pesquisa demonstrou, mulheres e não-brancos são os grupos majoritários no setor informal, assim como grande parcela é formada por migrantes de origem rural. Ainda interações entre gênero com educação e gênero com raça, demonstraram que os efeitos da educação são maiores para as mulheres no setor formal e que mulheres não-brancas estão mais presentes no setor informal. Esses resultados de pesquisa levam a concluir que as chamadas minorias (minorias em termos de poder na sociedade) parecem encontrar seu espaço no mercado de trabalho informal.
A variável educação parece também estar associada. A literatura tem apontado para a questão de que o setor informal é composto por  trabalhadores sem sucesso, que são, com predominância, pobremente educados e/ou recentemente migrados do mercado de trabalho formal (Todaro, 1985 apud Telles, 1992).
Sintetizando os traços sócio-econômicos da mão-de-obra absorvida pelas atividades não-reguladas, Cavalcanti (1978, p. 31) afirma que:
“A população que participa do setor informal (….) é representada principalmente pelos estratos mais jovens ou pelos mais velhos da força de trabalho, contendo uma proporção de mulheres maior do que na média do mercado de mão-de-obra, o mesmo acontecendo no tocante a migrantes. Baixos níveis educacionais e de capacitação profissional é outra característica desta população”.
Por outro lado, Cacciamali (1983, p. 40) discute a questão de que a produção informal seja somente um “receptáculo de pobres urbanos e formada pela massa de migrantes  recém chegada à cidade que, sem perspectiva de obter um posto de trabalho assalariado, refugia-se neste setor”. Para a autora, a expansão do ritmo de produção capitalista levou a um excedente de mão-de-obra, entre outros movimentos, que podem ocupar parcelas de determinadas atividades informais, mas não a totalidade. Este raciocínio pode sugerir a existência de outros fatores que influenciam o exercício de atividades não formais por indivíduos de uma sociedade.
Uma possível justificativa para a questão pode surgir da discussão sobre diferenças de  remuneração entre os setores. Cavalcanti e Duarte (1980) questionam a relação entre baixa renda e atividades secundárias. Em seus estudos sobre setor informal em Fortaleza, observaram que a mão-de-obra informal apresentou uma taxa de remuneração mais elevada que a do setor formal (p. 49), o que pode atrair ou mesmo motivar a permanência na atividade. Essa constatação parece contrariar o argumento de que a falta de opção leva ao setor informal.
Em uma outra análise, a Teoria de Diferenças de Remuneração aponta que, condições de equilíbrio aparecem para compensar empregados pelas condições indesejadas de trabalho, como insegurança ou trabalho intermitente (McConnell e Brue, 1986, p. 390 apud Beck, 1998). Logo, remunerações extras ou mais altas no setor informal podem surgir como maneira de compensar por essas condições menos favoráveis de trabalho. Como se observa, algumas justificativas podem advir dessa discussão.
2.1 Hipóteses de Trabalho
Baseados na discussão teórica acima apresentada, deverão ser verificadas as seguintes hipóteses de trabalho:

Hipótese 1:

Baseados na discussão que relaciona as características sócio-econômicas à participação em atividades informais apresentada por Cavalcanti (1978), Cavalcanti e Duarte (1980), Pardo e Castaño (1989), Telles (1992) e Todaro (1985, apud Telles 1993), será observado se a mão-de-obra absorvida pelas organizações de jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana é típica do setor informal, portanto é composta, em sua maioria, por pessoas excluídas da sociedade, pelas chamadas minorias.

Hipótese 2:

Baseado em estudos que concluem que o setor informal é receptáculo de pessoas sem sucesso e que são excluídas do emprego remunerado regular (formal) (Cavalcanti, 1978 e Portes et al 1986; Tokman, 1986; Mead, 1994; Maldonaldo, 1995 apud Simon, 1998, p. 549), será testada a hipótese de que as pessoas atuam na atividade de jogo do bicho por que não encontram espaço no mercado de trabalho formal.
3.      METODOLOGIA DE PESQUISA
Este estudo usou uma metodologia multimétodo, haja vista a necessidade de se realizar duas etapas de pesquisa distintas: a primeira, com cunho qualitativo e uma segunda fase com enfoque quantitativo, predominantemente.
Esta é uma  pesquisa identificada como do tipo exploratório-descritiva, haja visto o a escassez de trabalhos sobre o assunto, notadamente sob o enfoque gerencial, conforme mencionado anteriormente, assim como descreverá as características do fenômeno ora estudado.
Durante a fase inicial da pesquisa, o enfoque qualitativo para a observação do problema era predominante. Isso porque, as entrevistas inicias e a observação direta da atividade do Jogo de bicho foram a grande fonte de insights que proporcionou a percepção do problema deste estudo.
   Uma vez finalizada a etapa qualitativa que culminou com a definição do problema de pesquisa, a fase quantitativa foi operacionalizada com a pesquisa de campo amostral, com funcionários de nível operacional, os chamados cambistas.
3.1 Coleta de Dados, População e Amostra
O instrumento para a coleta de dados foi um questionário estruturado formulado com mais de um tipo de escala para as respostas.
A população dos funcionários de nível operacional no Recife e Região Metropolitana é, segundo informações obtidas na AVAL, composta por aproximadamente 8.300 (oito mil e trezentas) pessoas, distribuída por 51 (cinqüenta e uma) bancas de jogo de bicho afiliadas à AVAL, situadas no Recife e Região Metropolitana. O cálculo da amostra levou a um número de 367 (trezentos e sessenta e sete) respondentes para a pesquisa de campo.
Os dados obtidos durante a fase de coleta de dados foram tratados no programa estatístico SPSS. A estatística descritiva gerou os resultados para a análise e discussão resultados.
4.      DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O presente capítulo compõe o perfil dos respondentes, identificando características sócio-econômicas do pessoal absorvido pelas organizações do jogo de bicho no RMR e verifica se o as pessoas optam pela atividade porque não encontram espaço no mercado de trabalho formal.
De acordo com os resultados  a seguir, a grande maioria dos entrevistados é do sexo feminino, perfazendo 66,4% da amostra pesquisada, enquanto que os homens compõem uma minoria de 33,6 %. Portanto, este primeiro resultado vem a fortalecer a hipótese de as atividades informais é composta em sua maioria por mulheres, que devido a dificuldades de acesso ao setor formal, migram para o setor periférico do mercado de trabalho.
Tabela 4.1  Sexo do Entrevistado

Sexo Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%)
Feminino 245 66,4 66,4 
 
Masculino      
124 33,6 100,0 
 
 
Total      
369 100,0   
 
 

 
Com relação à idade da mão-de-obra absorvida, a tabela que segue mostra que a grande maioria é considerada jovem, perfazendo um total de 64% (sessenta e quatro porcento) com idade igual ou inferior à 35 (trinta e cinco) anos. Se for considerada a idade economicamente ativa do indivíduo, até 55 (cinqüenta e cinco) anos, a grande maioria (88%) é formada por estas pessoas, restando apenas 12% de idosos ou pessoas já afastadas do mercado de trabalho. Ao observarmos os dados, por suas faixas limites, é possível perceber que 66% (sessenta e seis porcento) dos entrevistados são compostos por pessoas muito jovens ou idosos, o que pode confirmar a teoria ao identificar que também o trabalho do jogo de bicho, como atividade tipicamente informal, absorve pessoas com estas faixas etárias, que têm maiores dificuldades de ingresso no trabalho formal.
Tabela 4.2  Faixa Etária

Faixa Etária Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%)
16 – 25 anos 44 44 44
26 – 35 anos 20 20 64
36 – 45 anos 13 13 77
46 – 55 anos 11 11 88
Acima de 55 anos 12 12 100
Total 100 100  

 
A tabela 4.3 apresenta a região de origem do pessoal ativo no jogo de bicho. Através destes resultados, é possível concluir que quase 85 % (oitenta e cinco porcento) destas pessoas nasceram em áreas urbanas e que apenas 15 % (quinze porcento) tem origem em áreas rurais. Este achado fortalece o que defende a teoria, uma vez que a mesma encontra a participação de migrantes de zonas rurais que partem para os centros urbanos em busca de melhores oportunidades e que, ao não encontrarem espaço, migram para as atividades informais. Assim, os indicadores da tabela acima, apontam  que, na atividade de jogo de bicho, a maioria expressiva é formada por pessoas de origem urbana. Não obstante, é possível identificar a participação das pessoas de origem rural na atividade do jogo.
Tabela 4.3  Local de Nascimento

Local de Nascimento Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%) 
 
Urbana      
311 84,3 84,3 
 
 
Rural      
58 15,7 100,0 
 
 
Total      
369 100,0   
 
 

 
Além do nascimento, a grande maioria, quase 85% (oitenta e cinco porcento), viveu em zona urbana até os 15 anos, o que pode demonstrar que a maioria das pessoas que atuam na atividade de jogo de bicho na RMR não migraram das zonas rurais em busca de trabalho e melhores condições de vida (cf. na tabela 4.4), tendo elas sua origem das cidades.
Segundo estes achados, pode-se concluir que no que se refere a esta variável, também este resultado fortalece a literatura, quando ela defende que também os migrantes fazem parte da mão de obra absorvida pelas atividades informais. Para as organizações de jogo de bicho, mais esta variável vem a compor o perfil dos “contratados”.
Tabela 4.4 Trajetória de Vida

Até 15 anos viveu em área rural Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%) 
 
Sim      
45 12,2 12,2 
 
 
Não      
324 87,8 100,0 
 
 
Total      
369 100,0   
 
 

 
Conforme está descrito na tabela 4.1.5, os resultados provenientes da variável cor indicam que também a grande maioria, cerca de 75% (setenta e cinco porcento), é formada por negros e pardos, enquanto que uma minoria de pouco mais de 25 % é composta por brancos.
Para esta questão, a previsibilidade do resultado foi inevitável. Isto porque a origem étnica do povo brasileiro já leva aos resultados de maioria parda ou negra. Também esta variável vem a confirmar a hipótese de que os indivíduos que voltam-se para o trabalho informal são em  parcela majoritária compostos por negros e pardos que tenderiam a encontrar maiores dificuldades de exercício formal de trabalho, conforme comentado no capítulo de fundamentação teórica.
Tabela 4.5  Raça

Cor Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%) 
 
Branco      
97 26,3 26,3 
 
 
Pardo      
217 58,8 85,1 
 
 
Negro      
55 14,9 100,0 
 
 
Total      
369 100,0   
 
 

 
Também foi perguntado aos pesquisados se eles recebiam algum tipo de pensão e se, desta forma, estavam eles atuando na atividade como forma a complementar a renda familiar. Para esta questão, um percentual considerado alto, de mais de 90% (noventa porcento), revelou não receber nenhum tipo de pensão. Dos que recebem algum benefício, quase 92 % (noventa e dois por cento), auferem de pensão por tempo de serviço (aposentadoria) e por invalidez. Também este resultado vem a engrossar a literatura, quando a mesma encontra associações entre aposentados e participação na economia informal, como meio de complementar a renda familiar e/ou preencher o tempo das pessoas, desenvolvendo, desta forma, um papel social ao promover a dignidade de indivíduos marginalizados pela mercado de trabalho formal.
 
Tabela 4.6  Possui Pensão da Previdência Social

 Possui Pensão Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%) 
 
Nenhuma      
344 93,2 93,2 
 
 
Aposentadoria por tempo de serviço      
15 4,1 97,3 
 
 
Aposentadoria por invalidez      
8 2,2 99,5 
 
 
Pensão do cônjuge      
1 ,3 99,7 
 
 
Pensão dos paisTotal
 
     
1
369
,3
100,0
100,0 
 
 

 
Outra pergunta feita aos cambistas entrevistados foi se eles já cumpriram pena na justiça, tentando identificar se a mão-de-obra absorvida possui uma parcela composta por ex-presidiários. Os resultados foram bastante concentrados, uma vez que quase a totalidade (96,5%) revelou não ter tido este tipo de experiência, segundo a tabela 4.7 que segue:
É importante ressaltar que, para minimizar o efeito do viés provocado por este tipo de questão, optou-se por anteceder a esta pergunta uma outra, inquirindo ao respondente se ele “teve algum problema com a justiça” e seguindo, se “cumpriu pena” por este problema. Assim, seria possível diminuir o impacto da pergunta e de uma forma mais sutil obter dados referentes a experiência  como detento ou não do indivíduo.
 
Tabela 4.7 – Cumprimento de Pena          

Cumpriu Pena Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%)
Sim 2 0,5 0,5
Não 10 2,7 3,2
Não Respondeu 1 0,3 3,5
Não se aplica 356 96,5 100
Total 369 100,0  

 
A tabela 4.8 é relativa à trajetória profissional dos entrevistados. Os resultados de pesquisa apontam para um interessante aspecto: a maioria dos respondentes disse ter participado do mercado de trabalho formal, em algum momento de sua vida profissional, com cerca de 53 % (cinqüenta e três porcento) de participação para quase 47 % (quarenta e sete porcento) relatando nunca ter tido emprego formal antes (cf. tabela a seguir).
Também a variável educação precisa ser discutida. Foi perguntado aos pesquisados qual a última série escolar por eles cursada, para, assim, identificar o número de anos escolares com sucesso em sua educação formal. Os resultados apontaram para um interessante resultado, como mostra a Tabela 4.1.8: quase 70 %  dos entrevistados possuem entre 07 e 11 anos de escolaridade, o que significa que eles estudaram da 6ª série do ensino fundamental ao 2º ano do ensino médio. Observada a média de escolaridade de 7,76 anos (ver Tabela 4.1.9) dos indivíduos que trabalham no jogo do bicho da RMR, esta pode ser considerada alta, notadamente, se comparada aos dados da pesquisa nacional por amostra a domicílio (PNAD) de 1996, que apontam para uma média de escolaridade da população economicamente ativa (PEA) de menos de 5 anos de escola com êxito para o país como um todo. Logo, é possível concluir que as pessoas que atuam na atividade de jogo do bicho da RMR possuem um nível educacional superior à PEA brasileira em quase 3 anos de diferença.
Esse resultado incita alguns questionamentos. Possivelmente, o mais curioso é compreender as causas que levam as pessoas à atividade informal, mesmo tendo elas uma média de escolaridade superior à da População Economicamente Ativa como um todo. Ao que tudo indica, outros fatores aparecem neste quadro. Provavelmente são variáveis contextuais – econômicas, sociais e políticas – que fariam, se fossem incluídas, o entendimento e a interpretação desta realidade mais verossímil. Um entre tantos exemplos sobre essas causas estruturais é o próprio mercado de trabalho recessivo, caracterizado por uma demanda por empregos maior que a oferta, o que gera uma forte presença de regras e requisitos de acesso impostas à população que está em busca das vagas de emprego. Com relação às causas que levam as pessoas ao jogo do bicho, este aspecto será comentado mais acuradamente na seção seguinte.
 
Tabela 4.1.8  Anos de Escolaridade com Sucesso

Anos Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%)
0 4 1,1 1,1
1 13 3,5 4,6
2 6 1,6 6,2
3 15 4,1 10,3
4 17 4,6 14,9
5 34 9,2 24,1
6 22 6,0 30,1
7 43 11,7 41,8
8 57 15,4 57,2
9 33 8,9 66,1
10 34 9,2 75,3
11 76 20,6 95,9
13 5 1,4 97,3
14 2 0,5 97,8
15 2 0,5 98,3
16 1 0,3 98,6
Não Respondeu 5 1,4 100
Total 369 100,0  

Fonte: Pesquisa de Campo 1999
  
Tabela 4.1.9 Média de Escolaridade

Variável Frequência MMínimo MMáximo Mmédia Desvio
Padrão
Escolaridade
(em número de anos)
365 00 116 77,7616 2,9919
Casos Válidos 365        

Fonte: Pesquisa de Campo 1999
 
Especificamente, este achado vem-se contrapor aos estudos de Telles (1992), Cavalcanti (1978), Todaro (1985 apud Telles,1992), entre outros, na medida em que seria esperado que os indivíduos que formam as atividades informais possuíssem baixo nível de escolarização e que, em decorrência disso, teriam eles mais restrições de acesso ao mercado de trabalho regulado, conforme foi discutido no capítulo de fundamentação teórica.
Em contrapartida, uma quantia considerada mínima da amostra possui o ensino médio concluído e/ou iniciou o ensino superior, representando menos de 1% dos pesquisados. Isso leva a consideração de que, possivelmente, as pessoas que possuem este nível de qualificação teriam mais facilidade de atuar no trabalho primário ou formal e que, por isso, não ingressam nas atividades informais de jogo do bicho. Portanto, quase não há participação de pessoas que tenham, no mínimo, ingressado no nível superior atuando na atividade.
 
Concluindo este passeio sobre as características da mão de obra absorvida pelas organizações do jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana, é possível compor um perfil desta população, com as seguintes características:
·        Em geral, as pessoas que atuam na atividade do jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana são em maioria mulheres.
·        A maioria da mão de obra é composta por indivíduos muito jovens (entre 16 e 25 anos) ou idosos (acima de 55 anos).
·        A parcela majoritária dos funcionários absorvidos pela atividade de jogo de bicho tem sua origem urbana e viveu até os 15 (quinze) anos nas cidades.
·        A cor predominante nas pessoas que trabalham com o jogo de bicho é negra ou parda.
·        Também estão entre os trabalhadores do jogo de bicho pensionistas da previdência social, dos quais a maioria dos que auferem este tipo de auxílio, são aposentados por tempo de serviço e por invalidez.
·        A grande maioria do pessoal “contratado”  pela jogo nunca cumpriu pena, portanto, não possuem antecedentes criminais.
·        A mão-de-obra absorvida pelo jogo de bicho possui média de escolaridade superior à da PEA do Brasil como um todo.
 
Uma vez analisados os resultados anteriores, é possível tecer alguns comentários  e, principalmente, resgatar alguns pressupostos teóricos sobre o tema, oferecendo posicionamentos complementares ao que foi apresentado pela literatura.
O primeiro aspecto, refere-se ao fortalecimento da teoria, quando através de dados empíricos, é possível compor um perfil da mão-de-obra absorvida pela organizações do jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana que se assemelha em quase todas as variáveis ao que foi apresentado anteriormente. Ou seja, os indivíduos que servem à atividade de jogo de bicho, classificada como mercado de trabalho informal, têm características sócio-econômicas distintivas, possuindo traços de minoria em termos de poder na sociedade. São, portanto, mulheres, negros e pardos, e indivíduos em faixas etárias limites. Em todos os casos, à primeira vista, estas pessoas teriam mais dificuldade de ingresso no mercado de trabalho formal,
Por outro lado, no que se refere à educação formal, a média de escolaridade superior pode levar ao entendimento de algumas causas para o resultado, como, por exemplo, ser esta uma condição de um mercado de trabalho recessivo, onde as exigências  estão sendo cada vez maiores por parte das empresas em seus processos seletivos.
Um outro ponto que merece comentários, refere-se ao papel social desempenhado pela atividade de jogo de bicho. Isto porque, como foi descrito acima, a massa da sociedade que trabalha no jogo, possivelmente encontram maiores dificuldades de espaço no mercado formal de trabalho. Assim, a atividade desenvolve o importante papel de oferecer chances à sobrevivência de famílias e de promover a dignidade de muitas pessoas excluídas dos mecanismos formais da sociedade.
Uma perspectiva de análise muito importante e que tem muito a falar sobre as motivações dos indivíduos que atuam na atividade, refere-se às razões que os levam ao ofício do jogo.
De acordo com os resultados apresentados na tabela 4.8 que segue, uma parcela majoritária, aproximadamente 65% (sessenta e cinco porcento) diz atuar na atividade devido à falta de oportunidade em empregos no setor formal de trabalho, como pelo menos um dos motivos escolhidos pelos respondentes. Outras respostas identificadas foram, para complemento da renda familiar com 11% (onze porcento) e escolha própria com 13% (treze porcento). As demais respostas foram distribuídas com participações menores como mostra a tabela abaixo.
De acordo com a teoria, os indivíduos optam por trabalhar nas atividades do setor secundário devido à falta de oportunidades em empregos formais, caracterizando o setor como receptáculo de pessoas sem sucesso. Esta situação também pôde ser encontrada para o cenário do jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana, resultados estes que vêm a corroborar com a teoria, como foi mostrado pela tabela.
            Assim, a própria conjuntura econômico-social parece colaborar, influenciar e mesmo determinar a configuração e distribuição dos indivíduos entre setores do mercado de trabalho. Pelo que foi demonstrado pelos resultados, a primeira opção da maioria dos trabalhadores entrevistados ainda é o setor primário, dedicando-se ao mercado periférico ou informal apenas quando não acham oportunidades no primeiro. Desta maneira, parece claro o papel mais uma vez social desempenhado pelo jogo de bicho, assumindo a parcela da mão de obra sem chances em outras atividades, conseqüência de um mercado de trabalho recessivo.
 
Tabela 4.8  Motivos que Levaram as Pessoas a Atividade de Jogo do Bicho

Motivos Freqüência Percentual (%) Percentual Acumulado (%)
Falta de oportunidade em empregos formais 206 55,8 55,8
Escolha própria 49 13,2 69
Remuneração mais alta 12 3,3 72,3
Complemento de renda Familiar 41 11,1 83,4
Outras pessoas da família já passavam jogo 12 3,3 86,7
Não exige experiência 1 0,3 87
Facilidade de ingresso na atividade 1 0,3 87,3
Falta de oportunidade mais outra das respostas 32 8,4 95,7
Outros 15 4,3 100
Total 369 100  

 
5. CONCLUSÔES
As discussões sobre a economia informal podem se utilizar de muitos subsetores ou atividades como fontes de dados para pesquisas. Notadamente a atividade de jogo de bicho, estimula estudos que venham a entender parte da realidade de seu funcionamento, de sua formação e de sua dinâmica, especialmente sob o enfoque gerencial.
Os resultados obtidos pela pesquisa compõem um perfil da mão-de-obra absorvida pelas organizações de jogo de bicho do Recife e Região Metropolitana semelhante em suas características com o previsto pela teoria: formado por pessoas excluídas pelo mercado de trabalho formal, com traços de minoria em poder na sociedade – mulheres, negros ou pardos, indivíduos muito jovens ou idosos e alguns aposentados e deficientes. Porém, um aspecto interessante é que estão presentes majoritariamente indivíduos com nível de escolaridade superior ao da média da PEA brasileira como um todo.
Além dos traços, as motivações que levam os indivíduos a esta atividade, são eloqüentes sob a perspectiva social. A grande maioria optou pela trabalho no jogo de bicho por absoluta falta de oportunidade no mercado de trabalho formal, abrigando um contigente de indivíduos sem sucesso ou sem acesso a atividades reguladas e reconhecidas pela sociedade. Assim, a atividade de jogo de bicho no Recife e Região Metropolitana desempenha um relevante papel social, que pode, efetivamente, influenciar a tolerância à atividade no Estado, uma vez que promove empregos a indivíduos excluídos pelo mercado de trabalho formal.
As conseqüências destes resultados para a atividade parecem sérias. Sendo o jogo de bicho uma atividade com claras possibilidades de legalização, tendo inclusive um projeto de lei tramitando no Senado Federal a este respeito, os problemas decorrentes  em trabalhar com pessoas com estas características parecem inevitáveis.
Sob o enfoque da administração de recursos humanos, o desempenho de funcionários menos preparados e com um nível baixo de motivação e de orgulho por  seu trabalho tende a ser mais reduzido e mesmo comprometido se comparado ao de funcionários mais capacitados e motivados pelos desafios do trabalho. Assim, muitos esforços precisam ser empreendidos no sentido de elevar o nível da mão-de-obra absorvida por estas organizações, no que se refere à formação e à motivação dos indivíduos que delas participam, principalmente com a perspectivas da legalização. Esta é uma recomendação que de logo salta aos olhos e que atrai esforços de especialistas e estudiosos deste campo de pesquisa.
 
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1][1] Segundo informações obtidas na AVAL

(*) Débora Paschoal Dourado, Jorge Alexandre Neves, Programa de Pós-Graduação em Administração – PROPAD Universidade Federal de Pernambuco