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‘O jogo do bicho é igual a qualquer jogo da loteria’, afirma Marco Aurélio Mello

25/03/2014

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No Programa do Jô desta segunda-feira, 24/03, o apresentador Jô Soares entrevistou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, que comentou que é adepto de jogar na loteria federal. “Nunca fui chegado o jogo do bicho, nem na época de estudante, mas jogo de qualquer forma nas loterias”, revelou.
Segundo o ministro, o jogo do bicho é igual a qualquer jogo da loteria esportiva, Mega-Sena ou Dupla-Sena, só que não é praticado pelo Estado. “Há alguma coisa aí de errado e uma certa hipocrisia”, afirmou.
O ministro também comentou sobre a proibição dos bingos e cassinos no país e disse que a proibição não é uma questão histórica. “Os brasileiros viajam e acabam jogando no exterior, com isso os recursos recorrentes do jogo ficam para o Estado onde ele é praticado. Os males do Brasil não estão no jogo”, explicou. Clique aqui e veja o vídeo da entrevista do Ministro no Programa do Jô.

“Os males do Brasil não estão no jogo”, Marco Aurélio Mello
O jogo do bicho entra na entrevista quando o ministro comenta pergunta do Jô sobre o financiamento de campanha, quando uma pessoa ou empresa doa recursos para os dois lados. “Não tem como perder”, comenta o apresentador.

“Este fenômeno lembra um jogo. O Jogo do Bicho. Se acaba cercando por todos os lados”, comentou o ministro.

Depois desta resposta Jô provoca o ministro com a pergunta: “Você falou em jogo do bicho. Você como carioca gosta de jogar no jogo do bicho?”

O ministro nega várias vezes. Disse que não era chegado ao jogo do bicho, nem na época de estudante.

“Mas jogo em todos os jogos, e ai há um monopólio da Caixa Econômica nas loterias”, comentou Marco Aurélio.

Jô Soares então comenta “eu sei que no Rio de Janeiro o jogo do bicho, não sei se ainda tem a mesma força, é uma força que tinha, mas tinha uma participação muito grande e todo mundo fazia uma ‘fezinha’ no jogo do bicho. Agora as loterias se encarregam disso é um dinheiro que deixa de ir para o lado marginal”. Depois desta explicação o apresentador pergunta: “Você acredita realmente que o jogo do bicho esteja por trás também do tráfico de armas, do consumo de drogas, que tudo seja uma panela só?”

O ministro responde “Talvez hoje haja uma mesclagem, que é péssimo para a sociedade. Agora o jogo do bicho em si ele é como um jogo qualquer da loteria esportiva, da Mega-Sena, da Dupla Sena, só que não é praticado pelo Estado, há alguma coisa aí de errado e, eu diria, uma certa hipocrisia”, comentou o ministro.        

Jô Soares continua na mesma linha e questiona “também ministro uma coisa que sempre acho difícil de entender é o seguinte: não no Brasil não tem, o jogo é proibido. Tem tudo que é jogo nas mãos do Estado, nas mãos do governo e no entanto, cassinos, balneários, jogo em cidades que já foram grandes por causa do jogo é totalmente proibido. Isso se deve aquela proibição que falava no tempo do Dutra que Dona Santinha proibiu o cassino. Até que ponto isto é imutável?”, perguntou Jô Soares.

“É um ranço, mas devemos evoluir. Os brasileiros viajam e acabam jogando no exterior. Recursos decorrentes do jogo ficam para os Estados onde ele é praticado. Nós precisamos realmente constatar a realidade: os males no Brasil não estão no jogo”, comentou Marco Aurélio Mello.

“Nem lá fora”, comentou Jô Soares.   
Agenda positiva

Quando um dos mais respeitados ministros do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello defende a legalização do jogo e ainda critica a proibição com a expressão “há alguma coisa aí de errado e uma certa hipocrisia” fica a nossa pergunta: O que falta para regulamentar o jogo no Brasil?

A entrevista do ministro ao Jô Soares é um bálsamo para aqueles que defendem a regulamentação do jogo. São manifestações como esta que nos estimulam a continuar lutando, todos os dias, para que este setor saia da editoria de polícia e migre para a editoria de economia dos principais jornais do país.  É mais uma manifestação que gera agenda positiva para o setor.

Como bem disse o ministro: “É um ranço [a proibição] , mas devemos evoluir”.