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O governo pode salvar o futebol sem o dinheiro da Caixa

19/03/2019

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Luiz Felipe Maia

A Caixa tem sido um grande parceiro do futebol brasileiro. Cerca de R$ 663,6 milhões foram investidos em patrocínio nos últimos sete anos, mais de R$ 138 milhões apenas no ano passado. A sinalização dada pelo governo de que a Caixa deve reduzir drasticamente o valor, tem gerado preocupação no setor.
O que irá ocorrer com os patrocínios da Caixa ainda é incerto, mas há uma luz no fim do túnel: em dezembro de 2018 foi aprovada a Lei 13.756, que criou as apostas de quota fixa sobre eventos esportivos e deverá ser regulamentadas nos próximos 4 anos.
Assim que o processo de regulamentação estiver concluído, as licenças para operação de apostas esportivas poderão ser outorgadas e é esperado que diversas empresas internacionais venham para o país. Estamos falando de um mercado que gera receitas bilionárias em todo o mundo, com empresas de capital aberto que são, hoje, os maiores patrocinadores do futebol mundial.
O potencial de patrocínio para o futebol brasileiro com o início das operações das apostas esportivas no país é imenso. Estimativas de analistas internacionais apontam para mais de R$ 6 bilhões em receitas, o que é conservador quando comparado com o mercado inglês, que apenas com apostas captadas no Reino Unido chega a quase R$ 10 bilhões.
Lá, cerca de 60% dos clubes das duas primeiras divisões são patrocinados por empresas de apostas. Os nove times da Premier League patrocinados receberam na temporada 2017-2018 mais de R$ 220 milhões. Outros sete times que possuem parcerias de publicidade sem patrocínio em camisa, cerca de R$ 50 milhões. Na Segunda Divisão do Campeonato Inglês o valor total do patrocínio apenas de empresas de apostas foi de R$ 46 milhões, superior ao patrocínio da Série B do Campeonato Brasileiro. Esses valores são mais do que o dobro do que a Caixa patrocinou no ano passado para todas as divisões do futebol brasileiro.
É razoável, portanto, concluir que há um cheque de cerca de R$ 190 milhões em patrocínio e parcerias de marketing pronto para ser entregue ao futebol brasileiro. É claro que o tamanho do cheque dependerá de como a atividade será regulada. Principalmente se haverá livre concorrência, bem como ao patrocínio de entidades esportivas.
Para compensar o cheque, com a lei já aprovada, basta que o governo conclua a regulamentação. O governo pode tirar com uma mão o patrocínio da Caixa, pago pelo contribuinte, e dar com a outra mão o patrocínio das empresas de apostas esportivas, de valor maior e pago pelos particulares.
(*) Luiz Felipe Maia é professor e advogado certificado em regulação de cassinos e apostas pela Universidade de Nevada, Las Vegas e veiculou o artigo acima no portal Mundo do Marketing.