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Jogadores Patológicos

A febre dos bingos. 12/11/2004

Drausio Varela - Enrevista Hermano Tavares


Dr. Hermano Tavares é coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico do Instituto de Psiquiatria de Universidade de São Paulo
Drauzio - Gostaria que você discutisse o fenômeno dos bingos.
Hermano - Uma coisa que precisa ser dita com todas as letras é que o jogo não é proibido no Brasil, como se pensava antigamente. No nosso país, ele está legalizado. Os únicos que não são permitidos são os jogos clássicos de cassino, como os de carta e a roleta. Hoje, como a lei que permite a abertura dos bingos expirou, o Ministério Público está discutindo o problema, mas essa discussão deveria ser aberta para a sociedade a fim de saber se ela deseja que eles permaneçam funcionando ou sejam fechados. O bingo, na verdade, é o grande responsável pela difusão do jogo de azar no Brasil. As pessoas que ainda não foram jogar bingo (aliás, recomendo que continuem não indo) pensam nele como aquele joguinho de tômbola das quermesses de igreja, com um cartão de cartolina onde se marcavam os números cantados com um feijãozinho. Não é nada disso. A maior parte das pessoas que freqüentam as casas de bingo jogam nos computadores em média de 300 a 400 cartelas de uma só vez e o sorteio é muito rápido. Em 15 ou 20 minutos, acaba uma rodada e começa outra. O uso do computador transformou esse jogo inocente, ou quase inocente, num passatempo perigoso. A combinação tecnológica de jogo de azar e eletrônica é nitroglicerina pura!