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O Globo: Grupos apostam na liberação dos cassinos 10/05/2017

Seis empresas já visitaram o Brasil. Magnata Sheldon Adelson, do Las Vegas Sands, tem projeto de US$ 8 bi


Novas apostas. O projeto do bilionário Sheldon Adelson prevê a construção de um resort com shopping center, centro de convenções e cassino (Anthony Kwan/Bloomberg)

Setenta anos após serem proibidos no Brasil, os cassinos fazem suas apostas e voltam à mesa de negociações no maior país da América Latina. Ontem, um dos ícones mundiais do setor de jogos, o americano Sheldon Adelson, presidente da Las Vegas Sands, maior empresa de cassinos dos Estados Unidos, se reuniu com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, encontro antecipado pelo colunista do GLOBO Ancelmo Gois. Porém, a visita do multibilionário empresário, que hoje estará em Brasília com sua equipe, não é a única. Também esteve na cidade recentemente James Murem, que comanda o grupo MGM Resorts, famoso por seu empreendimento em Las Vegas, um dos locais mais conhecidos dos brasileiros quando o assunto é jogo.

A lista de empresas interessadas em explorar a atividade de cassinos no país vem crescendo a cada mês. Até uma das figuras mais conhecidas de Las Vegas, Jan Laverty Jones, ex-prefeita da cidade, esteve em Brasília, já que hoje é uma das principais executivas do Caesars Entertainment Corporation, dona do Caesars Palace, um dos mais conhecidos da Las Vegas Strip. Já esteve por aqui nos últimos meses ainda o grupo dono da rede Red Rock, com espaços na Califórnia e Michigan, nos EUA.

A lista de empresas interessadas em explorar a atividade de cassinos no país vem crescendo a cada mês. Até uma das figuras mais conhecidas de Las Vegas, Jan Laverty Jones, ex-prefeita da cidade, esteve em Brasília, já que hoje é uma das principais executivas do Caesars Entertainment Corporation, dona do Caesars Palace, um dos mais conhecidos da Las Vegas Strip. Já esteve por aqui nos últimos meses ainda o grupo dono da rede Red Rock, com espaços na Califórnia e Michigan, nos EUA.

Mas não são apenas os americanos. Os europeus Estoril Sol, de Portugal, e até a estatal austríaca que administra cassinos em Viena estiveram em Brasília apresentando a indústria do cassino e do entretenimento como ferramenta para impulsionar a indústria do turismo no Brasil.

Investimento em resort

A legalização dos cassinos, porém, é um assunto cercado de polêmica no Brasil. Muitos grupos criticam a proposta de legalização argumentando que o jogo pode levar à lavagem de dinheiro, à criação de organizações criminosas e ao vício. Do outro lado, o próprio governo já se convenceu de que a legalização dos cassinos vai ajudar no desenvolvimento da economia. Segundo o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), presidente da comissão especial da Câmara que analisou o tema, a expectativa é de investimentos de R$ 80 bilhões.

— O Brasil é um dos únicos países democráticos em que o cassino não é liberado. Há interesse desses grupos em investir no país, criando um resort integrado com cassino. Há uma disposição alta para investir. Mas é preciso segurança jurídica para que esses investimentos ocorram no país. Além dos grupos dos Estados Unidos e da Europa, há ainda empresas de Argentina e Uruguai de olho no país — disse Nascimento.

Nos encontros, o empresário Sheldon Adelson tem dito que pretende levantar um projeto de US$ 8 bilhões no Brasil. A ideia do bilionário americano é fazer um complexo nos moldes do de Macau, na China, que gera hoje mais de dez mil empregos diretos e reúne centro de convenção e até shopping center. Segundo uma fonte, o magnata tem dito em seus encontros que, para receber esse empreendimento, a cidade precisa ter uma infraestrutura de hotelaria de 4 a 5 estrelas para absorver os clientes.

Ontem, o prefeito Marcelo Crivella recebeu o empresário para uma reunião no Palácio da Cidade, em Botafogo. Antes da reunião, Crivella disse que o motivo do encontro era “trazer investimentos” para o Rio, sem mencionar a palavra cassino.

— Ele é um dos grandes investidores no setor imobiliário. Vamos falar sobre turismo. É seguramente uma das maiores fortunas americanas e tem muito interesse pelo Rio. Quem sabe não pode nos ajudar no Porto Maravilha? Vou mostrar para ele a infraestrutura que foi feita e, quem sabe, podemos instalar ali hotéis, praças de alimentação, cinemas. Ele é um dos grandes empreendedores de Las Vegas — afirmou Crivella.

Hotel Nacional na mira

A assessoria de Adelson não quis comentar. De acordo com outra fonte, grupos do exterior já estão conversando com hotéis no Rio de Janeiro e procurando terrenos. Uma das conversas em fase mais adiantada prevê a possibilidade de um cassino no antigo Hotel Nacional, em São Conrado, da HN Construtora, reaberto recentemente sob a administração do grupo espanhol Meliá.

— Foi feito um pré-acordo para a construção de um cassino no hotel, em um projeto de US$ 50 milhões — disse uma das fontes que não quis se identificar.

O Hotel Nacional não retornou à reportagem. Hoje há duas propostas para legalizar os cassinos no Brasil: uma na Câmara dos Deputados e outra no Senado. Na Câmara, o relatório substitutivo da Comissão do Marco Regulatório do Jogo já foi votado e está na mesa do presidente da Casa, Rodrigo Maia. No Senado, o projeto está na Comissão de Constituição e Justiça. Segundo fontes, os dois projetos vão convergir para um só, como forma de agilizar a votação no Congresso. A ideia é que o texto vá a plenário após a votação da reforma da Previdência.

Já está certo que, ao unir as duas propostas, o projeto vai federalizar a criminalização de todas as modalidades de jogos, como bingo e jogo do bicho. Pela proposta da Câmara, estados com até 15 milhões de habitantes poderão ter um cassino; locais entre 15 e 25 milhões, dois; e estados acima de 25 milhões, três. A proposta do Senado fala em até três estabelecimentos por estado.

— É preciso uma legislação uniforme. A exploração fraudulenta do jogo e sem autorização passa a ser crime federal. Isso traz segurança para o investidor. Pelo projeto, as máquinas dos cassinos serão ligadas aos sistemas da Receita Federal, no qual haverá um acompanhamento online — destacou Nascimento.

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Números:

R$ 80 BILHÕES - É o volume de investimento estimado com a liberação dos cassinos no país

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3 CASSINOS - É o limite em cada estado no projeto do Senado

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Nos negócios e na política dos EUA

Aos 83 anos, Sheldon Adelson é um dos nomes mais conhecidos no mundo dos cassinos e um dos mais cobiçados empresários no circuito político americano. Ele comanda a maior empresa do setor nos Estados Unidos: a Las Vegas Sands, um império com receita anual de US$ 12,196 bilhões.

Filho de imigrantes da Lituânia e País de Gales, Adelson está hoje na vigésima posição na lista dos bilionários da Revista “Forbes”, com fortuna estimada em US$ 30,4 bilhões.

Nos últimos anos, o empresário tem aumentado seus investimentos fora dos Estados Unidos. Atualmente, 54% da geração de caixa operacional do grupo vêm de Macau, região administrativa especial na China. Em seguida estão Cingapura, com 32%, e os EUA, com 14%. A empresa, além de olhar o Brasil, tem planos de investir em países como Japão e Coreia do Sul nos próximos anos.

O apoio de Adelson a candidatos e partidos políticos também chama atenção. Nas eleições presidenciais do ano passado, ele doou US$ 82 milhões ao Partido Republicano, de acordo com dados do site do grupo sem fins lucrativos Center for Responsive Politics, em Washington. Ele ficou atrás apenas de Tom Steyer, do fundo de investimento Farallon Capital, de São Francisco, que doou US$ 91,1 milhões ao Partido Democrata.

Adelson foi o maior doador individual da campanha de 2012, com US$ 100 milhões. Em uma entrevista concedida naquele ano à revista “Forbes”, comentou: “Sou contra pessoas ricas tentarem influenciar as eleições. Mas, enquanto for possível, vou fazer porque caras como (George) Soros estão fazendo isso há anos, há décadas. Tenho minha própria filosofia e não tenho vergonha disso”. (O Globo – Economia - Bruno Rosa – Colaborou Dayana Resende)


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