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Marcelo Gomes de Araújo: “E nós lotéricos, como é que ficamos?”

08/10/2019

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Marcelo Gomes de Araújo*

Lotérico que sou, há mais de cinquenta anos, foi uma verdadeira surpresinha tomar conhecimento, no BNL de 01/10/19, do aplicativo que a Caixa lançou para venda de suas loterias.

Todos nós sabemos que a evolução tecnológica é inexorável. Entretanto, a diretoria da Caixa, ao que parece, não se lembra de que o empresário lotérico adquiriu e pagou por sua permissão, depois de participar de um processo licitatório.

Agora, vem a Caixa usurpar a nossa maior fonte de faturamento, o que fatalmente levará nossos contratos a um desequilíbrio econômico-financeiro.

Os valores que nós recebemos para a arrecadação de contas e boletos são absurdamente insignificantes.

A Circular n° 816 da Caixa, que por si só já é draconiana, fala em ética, responsabilidade e transparência. Ora, onde foi parar a ética?

É justo o lotérico pagar por uma permissão, e em seguida o poder concedente concorrer com o permissionário?

A direção da Caixa vive dizendo que a rede lotérica é sua grande parceira. Isso é parceria?

A Constituição da República assegura à Caixa o monopólio das loterias, por meio de delegação da União. Isso nós entendemos.

No entanto, é notório que, sem a rede lotérica, a Caixa nem de longe é a mesma. Um Sansão careca!

Por que, há muito tempo, os lotéricos que assim desejarem não tem em suas lojas um terminal de autoatendimento?

Esse aplicativo que a Caixa está lançando não pode ter a participação das casas lotéricas? Somos levados a crer que trata-se de total falta de consideração conosco. Em nosso modesto a entender, a plataforma já desenvolvida poderá ser aprimorada.

E a respeito dos milhões de prêmios que nós pagamos diariamente em nossas lojas. Como é que isso vai ficar?

Do jeito que está posto, a Caixa vai faturar o valor das apostas e nós vamos pagar os prêmios, de graça.

Aliás, graça é que esse fato não tem. Nenhuma graça.

A Febralot precisa imediatamente tomar as medidas judiciais cabíveis, buscando assegurar nossos direitos adquiridos, com tanto sacrifício.

(*) Marcelo Gomes de Araújo é empresário lotérico e ex-presidente do Sindicato dos Lotéricos de Minas Gerais.