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Empresa de Stanley Ho mantém domínio nas receitas dos cassinos de Macau

06/01/2015

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Dados oficiais divulgados indicam que os cassinos de Macau encerraram 2014 com receitas brutas de 351.521 milhões de patacas (35.150 milhões de euros), uma queda de 2,6% face a 2013, potenciada por quedas homólogas sucessivas desde junho.

A queda anual das receitas do jogo, que acontece pela primeira vez desde que os novos operadores entraram no mercado, há pouco mais de dez anos, foi fortemente sustentada pela queda superior a 30% no mês de dezembro.

No último mês de 2014, os casinos encaixaram 23.285 milhões de patacas (2.320 milhões de euros), menos 30,4%, em termos homólogos.

Os dados compilados pela agência Lusa indicam que a Sociedade de Jogos de Macau, que substituiu a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau como operador de Jogo aquando da abertura do setor a novos operadores após a transferência de poderes de Portugal para a China, mantém-se como líder do setor, sendo a empresa com mais espaços de jogo – 20 em 35 casinos.

No segundo lugar do ranking está a Las Vegas Sands, do magnata norte-americano Shledon Adelson, com uma quota acima dos 22,5%, mas com cerca de meio ponto percentual de diferença para a Sociedade de Jogos de Macau.

Apesar de nos últimos meses ter estado muito forte e a lutar pelo segundo posto no ranking dos operadores, a Galaxy Resorts, de interesses de Hong Kong liderados por Lui Che-woo, terminou o ano passado com uma quota próxima dos 21%, mas ainda longe dos seus concorrentes.

Na segunda metade da tabela, a Melco Crown, que tem como um dos principais acionistas Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, manteve a tendência do ano e terminou no quarto posto do ranking com uma quota ligeiramente acima dos 13%, seguida da Wynn Resorts, do magnata norte-americano Steve Wynn, a quase três pontos de distância.

Na última posição, apesar de estar muito próxima da Wynn Resorts, terminou a MGM China, liderada por Pansy Ho, também filha de Stanley Ho, com uma quota de mercado anual ligeiramente acima dos 9,5%.

Já no mês de dezembro, a Sociedade de Jogos de Macau liderou com uma quota acima dos 23,5%, seguida da Galaxy Resorts e da Sands China, com quotas na casa dos 20%, mas separadas por cerca de meio ponto percentual.

A segunda metade da tabela foi liderada pela Melco Crown com quase 15%, seguida pela MGM China com quase 10,5% e da Wynn Resorts com pouco mais de 10%.

Analistas contatados pela agência Lusa mantêm a perspectiva de queda das receitas do jogo até maio de 2015, num caso que deriva, essencialmente, do maior controlo do fluxo de capitais a sair da China continental.

"Há claramente no discurso e ação política da China uma vontade de combater a corrupção interna e o fluxo de capitais que sai do país o que penaliza o jogo em Macau, mas é preciso salientar que, mesmo assim, as receitas dos casinos estão hoje, ainda assim, a níveis nunca imaginados pelos próprios operadores", disse uma fonte do setor financeiro local.

Por outro lado, acrescentou, os fortes crescimentos que se faziam sentir nas receitas dos casinos estavam a "insuflar artificialmente o custo de vida que há muito devia ter sido combatido para evitar as dificuldades com que hoje se depara a classe média local em campos como a habitação".

"Um maior controlo do fluxo de capitais e, por conseguinte, das receitas dos casinos de Macau pode, aparentemente, ajudar a atenuar a especulação em muitas áreas de Macau, mas é preciso esperar mais algum tempo para perceber se o remédio encontrado não irá criar outros problemas", concluiu.

Macau é uma Região Administrativa Especial da China desde 20 de dezembro de 1999 com autonomia administrativa, legislativa e judicial.

A economia de Macau está assente nos serviços com o setor do turismo, especialmente o jogo em casino, a afirmar-se como a principal fonte de receita pública devido aos impostos diretos de 35% cobrados sobre as receitas brutas apuradas nos espaços de jogo e de 4% de indiretos canalizados para fins diversos como a promoção turística. (Agência Lusa)