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Guedes defendeu liberação dos jogos de azar para incrementar turismo no Brasil

25/05/2020

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Paulo Guedes participa da reunião ministerial do dia 22 de abril Foto: Marcos Correa / divulgação

BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a liberação dos jogos de azar no país durante a reunião ministerial do dia 22 de abril, que teve o conteúdo liberado nesta sexta-feira (22) por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O tema foi introduzido pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que citou a ideia da liberação de cassinos em resorts durante a reunião ministerial.

“Aí eu falo também pra ministra Damares, que eu sei que é urna pauta muito sensível também a ela, que é a questão, presidente, é … porque o ministério do Turismo agora tem que ter um planejamento, um plano de atração de investimentos, que é o que gera emprego, renda, é o que ajuda, obviamente, a economia do Brasil. E pra isso, presidente, eu acredito que o momento propício nesse planejamento da retomada, discutir os resorts integrados. Não é legalização de jogos, não é bingo, não é caça-níquel, não é … são resorts integrados. Obviamente, presidente, uma pauta que precisa de ser construída a – Damares tá olhando com cara feia pra mim – uma pauta que precisa de ser construída com as bancadas da Câmara, tanto a evangélica, quanto a católica, mostrando ou desmistificando vários mitos que giram em torno disso. Não sei se o ministro Paulo Guedes, é … concorda. Nós temos a possibilidade de atrair pelo menos US$ 40 bilhões de dólares pro Brasil só de outorgas, de investimentos imediatos com essa pauta”, disse Marcelo. (veja o vídeo no G1)

Ele recebeu uma resposta da ministra Damares Alves (Mulher, Família de Direitos Humanos), que é ligada a movimentos evangélicos contrários aos jogos de azar: “pacto com o diabo!”.

“Não. Não é bem isso não, né? Vou ter que começar a desmistificar pra Damares aqui. Tô… tô vendo isso” disse Marcelo ao ouvir a fala da ministra.

“(Eu) num (sic) tô dizendo que a gente tem que colocar isso como um projeto de … de governo, obviamente, mas abrir esse debate em torno dos resorts integrados”, completou o ministro do Turismo, que ouviu de Walter Braga Netto uma promessa de reunião para tratar sobre o tema.

— Vamos conversar — intervém o ministro da Casa Civil, Braga Netto.

O vice-presidente Hamilton Mourão brinca em um trecho que não é possível identificar a primeira palavra, mas segue com “Damares pra jogar uma roleta”, seguindo de risos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou na discussão posteriormente em defesa dos resorts. O chefe da área econômica citou exemplos de países que ganham com turismo por causa dos cassinos, como Cingapura, e pediu para Damares entender a possibilidade de liberação desse tipo de negócio no país.

“A mesma coisa o nosso … o problema do jogo lá na … lá na … nos recursos integrados. Tem problema nenhum. São bilionários, são milionários. Executivo do mundo inteiro. O cara vem, é… fazem convenções … olha, a … o … o turismo saiu de cinco milhões em Cingapura pra trinta milhões por ano. O Brasil recebe seis. Uma pequena cidade recebe es … trinta milhões de turistas. O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún . Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho. Não entra nenhum brasileirinho desprotegido. Entendeu?” (veja o vídeo no G1)

Quando Guedes defende a proposta, no entanto, Damares mostra que está disposta a discutir o assunto. Ela diz que a iniciativa pode prosperar, se houver garantias de que os cassinos não serão usados para lavar dinheiro.

A ministra concordou com Guedes, com a ressalva de que a Controladoria-Geral da União (CGU) deveria criar mecanismos para coibir a lavagem de dinheiro associada ao jogo.

Damares respondeu na sequência que isso poderia acontecer “se a CGU (Controladoria-Geral da União) concordar” e “tiver como controlar a entrada e a saída do dinheiro”, “se não tiver como lavar dinheiro sujo lá”.  (Com O Globo – Marco Grillo e Natália Portinari e UOL Notícias)