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Caixa terá em 2005 um novo modelo de operação de loterias.

02/12/2004

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Conforme o BNL adiantou em sua edição de ontem, a partir do próximo ano, a Caixa Econômica Federal terá um novo modelo de operação para as suas loterias. O modelo atual em que a Gtech presta todos os serviços e recebe um percentual das transações, será trocado um novo em que as empresas vencedoras dos pregões previstos para  terceira semana de janeiro, serão responsáveis em fornecer 25 mil terminais para serviços de captura de transações lotéricas e não lotéricas; serviços de telecomunicação para transmissão de dados; aquisição de volantes das loterias e bobinas para impressoras; além de serviços de armazenagem, transporte e entrega de suprimentos, sendo que a Caixa assegurará o domínio da inteligência do negócio loteria, já que o banco estatal será responsável pelo processamento das operações de loterias e das transações financeiras.
Mesmo que a Gtech vença os quatro pregões, a atual operadora terá que se adaptar ao novo modelo da Caixa. Durante a audiência pública da última terça-feira, um executivo da Caixa que preferiu não se identificar, falou ao BNL que “não existe nenhum problema entre a Caixa e a Gtech. O questionamento é com relação ao atual modelo da operação. Por isso que não existe nenhuma restrição que a Gtech participe, ganhe e execute os serviços que serão licitados”.   
Um especialista em operação de loterias, que atualmente representa um grande grupo interessado na licitação de terminais, disse ao BNL que a Caixa está no caminho certo ao assumir o gerenciamento da operação, mas informa que a Caixa poderá enfrentar alguns problemas durante a transição, principalmente pela carência de pessoal especializado nessa área.
Em todo processo de mudança de paradigma existem prós e contras, e é claro, que nesse caso não será diferente, como ficou demonstrado através dos 89 questionamentos formulados oficialmente na audiência pública, alguns respondidos no mesmo dia, outros que serão respondidos através do site da Caixa, além daqueles que serão esclarecidos somente a partir da publicação definitiva do edital  no próximo dia 22 de dezembro.
Mas ainda existem aqueles que só o tempo poderá esclarecer, ou seja, como será realizada a transição entre o modelo atual e o novo. Uma dica foi dada durante a audiência: “o processo será regionalizado para facilitar a logística da mudança”, informou Itamar Ferreira, Superintendente Nacional de Tecnologia.

Preço

Outra dúvida é com relação ao preço. O novo modelo será mais oneroso para a Caixa do que o modelo atual, já que a Gtech foi responsável pelos investimentos na implantação da atual rede que atende aos 9.000 casas lotéricas espalhadas em 3.628 municípios brasileiros? Será difícil dimensionar.
Pelos preços referencias citados nas “Minutas de Especificações e Condições” distribuídas na audiência pública, podemos dizer que a Caixa gastará R$ 523 milhões no “arrendamento mercantil” dos 25 mil terminais, R$ 546 milhões nos serviços de telecomunicação e transmissão de dados, R$ 40 milhões para aquisição de 6,6 bilhões de volantes, R$ 169 milhões para aquisição de 6,7 milhões de bobinas e R$ 43,4 milhões para guarda, transporte e distribuição dos suprimentos (volantes, bobinas e bilhetes das Loterias Federal e Instantânea). Somados esses valores, chegaremos a um total de R$ 1.152.400.000,00. É mais caro ou mais barato que o modelo atual?

Além disso, temos que considerar também os investimentos em hardwares e softwares que a Caixa está realizando paralelamente para assumir o processamento e gerenciamento das loterias federais para apuração e rateio dos resultados, que constitui a parcela mais importante do negócio loteria.

Mas a Caixa já informou que com o novo modelo desenvolvido para a prestação de todos esses serviços terá custos fixos para a instituição, diferente do modelo atual em que o valor pago à contratada é proporcional à quantidade de transações.
Mas uma coisa ficou cristalina na audiência pública, os pregões serão disputadíssimos, principalmente se tomarmos como referência às empresas que estiveram presentes ao evento e que poderão estar se preparando para participar das concorrências.
Terminais
Para o “arrendamento mercantil” dos 25 mil terminais poderão disputar empresas como Gtech, Scientific Games, ILTS, Intralot, Cirsa, Olivetti/OTS do Brasil, Essnet, Cisco do Brasil, IBM, HP do Brasil, Semp Toshiba, Itautec, Unisys, Microsoft, entre outras.
Telecomunicações
Para os serviços de telecomunicação e transmissão de dados poderão disputar empresas como Gtech, Embratel, Telemar, Brasil Telecom, Telefônica, Tim Celular, Telespazio, entre outras. 
Volantes e Bobinas
Para aquisição de volantes e bobinas poderão disputar empresas como Gtech, Tecnoformas, Fingerprint, Votorantin Celulose Papel, Intec do Brasil, Dipapel,  Plano Editora, Delarue, entre outras.
Armazenamento e distribuição
Para guarda, transporte e distribuição dos suprimentos (volantes, bobinas e bilhetes das Loterias Federal e Instantânea) poderão disputar empresas como Hebara, Codilo, Dilote, Servlot, Expresso Arghi, entre outras.
Prazos
Está prevista a publicação do Edital para o dia 22 de dezembro e a realização dos pregões para a terceira semana de janeiro, portanto as festas de fim de ano para os executivos das empresas interessadas em participar dos pregões serão regadas a números e documentos.
Caso tudo dê certo e os pregões sejam realizados na terceira semana de janeiro e não haja nenhuma ação de impugnação dos editais ou do resultado das concorrências na Justiça, os vencedores serão conhecidos no final de março ou início de abril.
Como o contrato com a Gtech termina no dia 14 de maio de 2005, uma coisa é certa: Caixa e Gtech terão que negociar mais uma extensão do atual contrato para que a transição entre o modelo antigo e o novo seja realizada “regionalmente” sem que comprometa as operações lotéricas e financeiras e, além de tudo, não coloque em risco os programas sociais do governo federal, que dependem da rede lotérica da Caixa Econômica Federal.