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Bingo: Sobrevivência para os atletas

22/04/2002

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O Ministério do Esporte e Turismo está propondo a criação de três tipos de bolsa-atleta, com o objetivo de assegurar uma renda mensal aos atletas e garantir a formação de equipes para disputar Olimpíadas, Mundiais, Pan-americanos e Sul-americanos. A proposta de criação das bolsas-atleta foi incluída no projeto de criação do Estatuto do Desporto Brasileiro, que tramita no Congresso.
A proposta abrange ainda todas as modalidades de esporte paraolímpico. Estão previstas a criação de bolsas para atletas olímpicos, paraolímpicos, não olímpicos e estudantes. Os recursos para financiar o pagamento mensal da bolsa-atleta viriam de 9% do faturamento dos bingos. O governo federal, através da Caixa Econômica Federal (CEF), estuda a edição de uma medida provisória para regulamentar os bingos.
— A instituição da bolsa-atleta é fundamental para alavancar o esporte e uma forma de democratizar o acesso ao esporte de alto rendimento — disse o ministro do Esporte e Turismo, Caio Luiz de Carvalho.
O projeto foi elaborado pela Secretaria Nacional de Esporte e encaminhado à Câmara dos Deputados. Seu principal defensor dentro do governo é o secretário Nacional de Esporte, Lars Grael.
— Não se trata de formar uma burguesia desportiva. Mas garantir a sobrevivência desses atletas e dar garantias para que possam se dedicar ao esporte, pagar uma universidade e sustentar a família — disse Grael.
Lars: ‘Recurso garante formação fixa de equipes’
As bolsas-atleta Olímpica e Paraolímpica serão destinadas aos atletas de alto rendimento, a partir de 14 anos, e que apresentem índices em suas modalidades para disputar Olimpíadas, Paraolimpíadas, Pan-americanos e Sul-americanos. Os valores mensais dessas bolsas são de R$ 2.500 (olímpico e paraolímpico), R$ 2.000 (pan-americano) e R$ 1.500 (sul-americano).
Já a bolsa-atleta Esporte será destinada a atletas de modalidades não olímpicas, não paraolímpicas e aquelas de criação nacional, mas sem abrangência internacional, como os casos da capoeira, entre outros. Será destinada a quem obtiver índices para Mundiais, Pan-americanos e Sul-americanos. Os valores das bolsas são: R$ 2.000 para disputa de Mundial; R$ 1.800 para Pan-americano; R$ 1.200 para Sul-americano e R$ 500 para esportes de criação nacional.
Para o secretário de Esporte, a bolsa-atleta garante a formação fixa de equipes para disputar todos os torneios internacionais:
— A bolsa é vital para o atleta brasileiro. Nem todo mundo é um Gustavo Borges, Oscar, Roberto Scheidt. São raros os que conseguiram apoio da iniciativa privada. A Daniele Hypólito, apesar dos resultados, teve dificuldades para obter patrocínio.
A terceira é a bolsa-atleta Estudante, para os estudantes de 14 aos 17 anos com bons resultados nas Olimpíadas Colegiais, Jogos da Juventude e campeonatos nacionais das modalidades olímpicas e paraolímpicas das categorias equivalentes à mesma faixa etária. Nos esportes individuais, serão beneficiados os três primeiros lugares de cada modalidade. Nos esportes coletivos terão direito ao benefício os 24 melhores atletas.
A bolsa será paga diretamente ao atleta, mensalmente e através de um cartão magnético nominal, que terá validade de um ano. Só terão direito à bolsa os atletas que não receberem nenhum outro apoio de empresa pública. Para ter direito, o atleta precisa estar matriculado em instituição de ensino ou já ter concluído o Ensino Médio.
Os atletas flagrados pelo uso do doping ficam impedidos de receberem o benefício definitivamente. Os atletas profissionais que tenham em vigor contrato como esportistas com base na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), também não terão direito à bolsa. Lars Grael calcula que a receita obtida com os 9% da receita dos bingos pode chegar a R$ 200 milhões por ano:
— Com esse montante, seria possível até criar bolsa para técnicos e treinadores.
Um diagnóstico elaborado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em maio de 2001, mostrou que o custo mensal para manter uma equipe olímpica completa e permanente, com 897 atletas e com uma bolsa de R$ 3.200, seria de R$ 2,8 milhões.
O que propõe o projeto de lei da bolsa-atleta
BOLSA-ATLETA OLÍMPICA E PARAOLÍMPICA: Destinada a atletas de alto rendimento, a partir de 14 anos, de esportes olímpicos e paraolímpicos, com histórico para disputar Jogos Olímpicos e Pan-americanos e Sul-americanos. Valor da bolsa. Com índice olímpico: R$ 2.500; com índice Pan-americano: R$ 2.000; com índice Sul-americano: R$ 1.500
BOLSA-ATLETA ESPORTE: Destinada a atletas de esportes não olímpicos, não paraolímpicos e de criação nacional com índices para Campeonatos Mundiais, Pan-americanos e Pan-americanos e Sul-americanos. Valor da bolsa: com índice para Campeonato Mundial: R$ 2.000; Pan-americano: R$ 1.800; Sul-americano: R$ 1.200; Criação nacional: R$ 500
BOLSA-ATLETA ESTUDANTE: Destinada aos atletas de 14 a 17 anos, participantes das Olimpíadas Colegiais ou Jogos da Juventude, organizados anualmente pelo Ministério do Esporte e Turismo, e campeonatos nacionais dos esportes olímpicos e paraolímpicos das categorias equivalentes a mesma faixa etária. Valor da bolsa. Esportes individuais (classificação final de 1 a 3 lugar): R$ 300; esportes coletivos (os 24 melhores atletas das competições): R$ 300.
O Globo – RJ – Evandro Éboli – Brasília