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ANU: Novas formas de direcionar problemas identificados com o jogo

22/02/2019

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Dra. Marisa Fogarty é a diretora do Centro de Pesquisas de Jogos (CSRM) e Doutora em Antropologia da Universidade Nacional da Austrália

Pesquisadores do Centro de Pesquisas de Jogos (Centre for Gambling Research – CGR), com sede na Universidade Nacional da Austrália (Australian National University – ANU), entrevistaram mais de 50 pessoas no ACT sobre suas experiências com danos relacionados ao jogo e as abordagens de saúde pública para combater o problema.

A pesquisa descobriu que muitos apostadores não querem receber ajuda de serviços formais, são resistentes quando oferecidos e não consideram a quantidade de tempo que passam jogando como um indicador de problema com o jogo.

Dra. Marisa Fogarty, diretora da CGR, disse que atitudes como “o jogo não é um problema se você puder arcar com as perdas” eram comuns e termos como “apostar com responsabilidade” eram considerados contraproducentes.

“O que descobrimos nos deu uma visão significativa sobre como facilitar a capacidade das pessoas de identificar os danos do jogo e desenvolver estratégias e identificar recursos apropriados para lidar com os problemas provocados pelo jogo.”

O estudo, ‘Informando Intervenções Direcionadas para as Pessoas que Vivenciam Problemas de Jogo no ACT’, recomenda uma abordagem de intervenção holística.

A Dr. Fogarty disse que até o momento as intervenções de saúde pública no jogo de azar foram “ad hoc”.

“Qualquer abordagem de saúde pública que não vise todas as áreas da comunidade provavelmente terá um impacto limitado”, disse ela.

“Precisamos direcionar melhor a população em geral, bem como os grupos em situação de risco na sociedade e as pessoas que já enfrentam problemas com o jogo de forma coordenada, para ter um impacto real na prevenção e na assistência às pessoas que sofrem danos causados por jogos de azar”.

O estudo mostrou que parceiros, familiares e amigos eram a opção mais preferida para conversar com as pessoas sobre seus jogos.

“Com essa informação, podemos apoiar familiares próximos e amigos em fazer uma abordagem que é mais provável de ser ouvida, enquanto descobrimos que uma abordagem da equipe do local de jogo, por exemplo, provocou fortes emoções como ‘horrorizado’, ‘constrangido’ e ‘envergonhado das pessoas que entrevistamos”, disse a Dra. Fogarty.

Principais conclusões da informação sobre intervenções direcionadas para pessoas com experiência em problemas com jogos de azar no ACT:

– Mensagens como: “jogue com responsabilidade” e “jogo problemático” são consideradas estigmatizantes e contraproducentes.

– Pessoas com problemas com jogo também tendem a ter problemas de saúde, saúde mental, álcool e outros problemas com drogas.

– Pessoas com problemas com jogo não tendem a procurar ajuda, a menos que seus problemas se tornem extremos, impactem os outros e tenham um severo impacto financeiro.

– Uma crença subjacente de que as pessoas devem lidar elas mesmas com os problemas do jogo.

– Apesar de não procurarem ajuda de serviços formais, as pessoas empregam um conjunto de estratégias para parar ou controlar o jogo, como criar barreiras para acessar dinheiro, estabelecer limites de gastos e renunciar o controle de seu dinheiro a um membro da família ou amigo.

Barreiras à autoidentificação foram:

– Variações no comportamento do jogo ao longo do tempo.

– Foco em vitórias e não nas perdas, condutas e impactos.

– Diálogos internos, justificando as perdas como acessíveis.

Algumas recomendações para intervenções incluem:

– Intervenções destinadas a apoiar e informar os parceiros e familiares próximos sobre os danos causados por jogos de azar.

– Intervenções de apoio ao uso e sucesso de estratégias de autorregulação para grupos de risco.

– Intervenções visando “gastar mais do que você pode pagar” têm um potencial limitado.

– Os participantes foram geralmente positivos sobre GPs (69%) e conselheiros (57%) quando indagados sobre seus jogos.

– Para aqueles que já experimentam os danos com o jogo, iniciativas que retratam resultados positivos de intervenções do jogo podem ajudar a mudar atitudes.

(Medical Xpress – Australian National University)