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Apostas nas raspadinhas quase duplicaram em dois anos em Portugal

22/05/2014

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Somadas as receitas brutas do Totoloto, Totobola, Joker, Loteria Clássica e Loteria Popular, o valor global destas modalidades fica quase 100 milhões de euros abaixo do montante que os portugueses apostaram na raspadinha durante os primeiros três meses do ano.

Entre janeiro e março, a loteria instantânea arrecadou o valor de 153 milhões de euros em apostas , contra os 63 milhões de euros dos outros jogos (excluindo o Euromilhões). Para se ter uma ideia do fenômeno deste jogo social explorado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), entre o primeiro trimestre de 2012 e o mesmo período deste ano as receitas obtidas com a raspadinha quase duplicaram (mais 93%). E, apesar do ritmo ter reduzido, ainda assim o produto subiu 10,6% acima da média face ao ano passado.  Esta modalidade equivale agora a 34% das receitas totais da SCML, ficando o Totoloto (campeão de vendas até ao início dos anos 2000) num distante terceiro lugar, com 33 milhões de euros.

Devido à adesão dos portugueses às raspadinhas que mais premiam como a “Super Pé-de-Meia” e “Pé-de-Meia”, as receitas brutas mantiveram uma trajetória ascendente, mesmo levando-se em conta que em 2013 e 2012 foram os melhores anos de todos os tempos para a SCML em termos de arrecadação com os jogos sociais. Nos primeiros três meses, as receitas brutas globais (ou seja, o valor das apostas registradas, sem contabilizar prêmios pagos e custos) chegaram aos 454 milhões de euros, 6% a mais que o mesmo período de 2013.

Euromilhões é o principal

O principal jogo de Portugal ainda é o Euromilhões, que sozinho representa 52% da arrecadação total, sendo responsável por 238 milhões de euros (mais 5,4%). Ao contrário do que aconteceu no primeiro trimestre do ano passado, houve também um crescimento do Totoloto e da Loteria Clássica: 0,13% (para 33 milhões) e 3,8% (para 10,7 milhões), respectivamente.

A dependência da SCML das duas maiores modalidades está bem patente no seu peso sobre o total: juntos, o Euromilhões e a Loteria Instantânea valem 86% dos 454 milhões arrecadados até março. Já a maior queda nas vendas foi protagonizada pelo Joker, que reduziu 8%, equivalente a quase menos um milhão de euros. Quanto ao Totobola, este se mantém como o jogo social com menor expressão, não obstante o fascínio do país pelo futebol: gerou apenas 2,8 milhões de euros, menos 2,5% face ao primeiro trimestre do ano passado.

Por parte da SCML, há a convicção de que chegou-se ao patamar onde será difícil continuar a crescer sem novos jogos. Por isso mesmo, a operadora está preparando o lançamento de uma nova aposta esportiva, à cota, com destaque para o futebol, e onde será possível, por exemplo, tentar acertar quantos gols será marcado.

Contatada pelo jornal ‘Público’ sobre este novo jogo, a SCML afirmou apenas que “ainda está em decisão pelo Governo, no quadro da reformulação do atual modelo de jogo a dinheiro”. Depois de uma primeira tentativa frustrada, o executivo está preparando as bases legislativas para a exploração do jogo online, estimando-se que tudo esteja pronto para ser aplicado em 2015. No Documento de Estratégia Orçamental para 2014-2018, o Governo pretende arrecadar, no ano que vem, 15 milhões de euros através da alteração do atual modelo de exploração do jogo.

Neste momento, os cofres do Estado continuam a receber o imposto extraordinário sobre o valor dos prêmios superiores a 5 mil euros. Nos primeiros três meses, os apostadores afetados pela medida viram os seus prêmios tributados em 5,4 milhões de euros, que deram entrada nos cofres das Finanças. No mesmo período de 2013, este valor tinha chegado aos 18,9 milhões, o que mostra uma queda nos grandes prêmios ganhos pelos apostadores em Portugal. (Com informações do Público PT – Luís Villalobos)