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Analistas descartam motivos para alarme com receitas do jogo em Macau a cair 8% em abril

08/05/2019

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Albano Martins e Glenn McCartney

Para encontrar a última quebra nas receitas brutas mensais do jogo é preciso recuar até julho de 2016. Desde então, e até ao final do ano passado, os resultados mostraram sempre crescimento. Isto até janeiro deste ano, quando se registrou um decréscimo de 5% em comparação com o mesmo período. Nos primeiros quatro meses de 2019, apenas em fevereiro houve um aumento, com abril a apresentar resultados negativos na ordem dos 8%, o pior resultado desde julho de 2016. Ainda assim, dois analistas ouvidos pelo jornal Ponto Final afirmam não haver motivos para alarme, pelo menos não por enquanto. O economista Albano Martins explica os números negativos deste ano com os resultados demasiado positivos dos períodos semelhantes, mas antecipa que esta tendência se mantenha até setembro. Já Glenn McCartney, professor da Universidade de Macau, observa que estes meses são naturalmente “difíceis”.

Foram dois anos e meio sempre a crescer, mas a tendência começou a inverter-se logo no primeiro mês deste ano. Em janeiro, a receita bruta mensal dos cassinos foi de 24,9 bilhões de patacas, menos 5% face ao mesmo período, indicam dados disponíveis no site da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Em fevereiro, houve uma recuperação, com um aumento de 4,5%, para se registar novamente um decréscimo em março, ainda que de apenas 0,4%. No entanto, no mês passado, a queda foi significativamente maior, com as receitas de 25,7 bilhões de patacas a traduzirem-se numa diminuição de 8,3%.
Glenn McCartney olha para estes números com naturalidade e diz não haver motivo para alarme. “Não estou alarmado e não vejo, de momento, que haja grandes preocupações. O Ano Novo Chinês calhou em fevereiro e depois março, abril e maio são sempre difíceis. Este trimestre é sempre difícil porque não há muito a acontecer”, observa o professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau. O acadêmico antecipa um retorno ao crescimento num futuro próximo e diz que, o mais “saudável” para a economia, é um aumento de um dígito. No entanto, ressalva, se tal não se verificar poderá haver razões para alarme. “Não vejo que isto seja uma nova tendência, mas obviamente que irei observar os próximos meses e se não houver uma inversão então haverá razões para nos preocuparmos”, alerta.
Albano Martins encontra uma explicação para estes resultados negativos ao comparar com os números semelhantes. “Houve um grande esticão nesses meses em 2018 e, portanto, foram os meses em que nós tivemos decréscimos. Estamos a olhar para números que são muito pesados e que cresceram muito no ano passado, tal como tinham crescido também no ano anterior. Nós vínhamos de dois anos de crescimentos relativamente notáveis”, sublinha o economista, acrescentando que “é um bocado prematuro dizer que as coisas estão a correr mal”. Em janeiro do ano passado, o aumento foi de 36,4% em termos anuais. Em março e abril foi, respectivamente, de 22,2% e de 27,6%. Só em fevereiro é que se registrou uma subida de apenas 5,7%.
A tendência registrada em janeiro, março e abril deste ano irá prolongar-se, pelo menos, até setembro, antecipa Albano Martins. “Eu acredito que vai ser difícil inverter o negativo, pelo menos até setembro. A partir de setembro, provavelmente é possível, porque os crescimentos nesses meses de maio, junho, julho e agosto [do ano passado] somados são à volta de 30%”, observa. Ainda assim, o economista alerta que “os números são enganadores”. “Se olharmos para a média diária até abril é superior à média diária de todo o ano passado e muito superior à média de todos os outros anos, com exceção, naturalmente, de 2014, porque ainda teve cinco meses a crescer, e, claro, de 2013”, refere. (Ponto Final – Macau)